Conservador Boris Johnson é eleito prefeito de Londres

O conservador Boris Johnson, um ex-jornalista de 43 anos, foi eleito prefeito de Londres, derrotando o trabalhista Ken Livingstone, 63, segundo resultados definitivos divulgados na noite desta sexta-feira.

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Facilmente reconhecido por sua despenteada cabeleira louro-palha, já foi apelidado de "bobo gago" pela imprensa britânica, que costuma se referir a ele sem cerimônia, apenas pelo primeiro nome.

Depois de uma série de gafes e de revelações embaraçosas sobre sua vida privada, ele não parecia ser o candidato ideal para tomar Londres do trabalhista Ken Livingstone. Graças à sua personalidade forte e à sua popularidade com o cidadão comum, porém, ele conseguiu se impor no Partido Conservador como o único candidato que poderia ameaçar o prefeito em final de mandato.

Seus adversários apontam para sua falta de experiência e questionam sua capacidade de administrar uma cidade com orçamento de 11 bilhões de libras (14 bilhões de euros) e que se prepara para sediar os Jogos Olímpicos em 2012.

Brian Paddick, candidato do Partido Liberal-Democrata à prefeitura comentou sobre esse ex-jornalista: "precisamos de um embaixador sério para ser prefeito de Londres, não de um palhaço".

Em 2004, ele acusou os moradores de Liverpool de sentirem prazer com a "condição de vítima", quando o refém Ken Bigley, natural dessa cidade, foi decapitado no Iraque. O líder dos conservadores na época, Michael Howard, obrigou-o, então, a ir pessoalmente apresentar suas desculpas à população local, revoltada com suas declarações.

Porta-voz da cultura no governo "fantasma" dos conservadores, ele teve de entregar o cargo por não ter informado a direção do partido de que havia tido uma relação extraconjugal.

Em 2006, quando comparou as lutas internas entre os "Tories" aos costumes do "canibalismo e assassinato do chefe", que estariam acontecendo, segundo ele, na Papua Nova Guiné, os diplomatas dessa ilha do Pacífico protestaram.

As associações anti-racistas e os deputados negros de Londres ficaram com seus artigos, nos quais ele os chamava de "pretinhos" com "sorrisos de melancia", entalados na garganta. Ainda assim, Boris Johnson rejeita as críticas dos que o acusam de racismo, apresentando-se como um "melting pot humano".

Johnson fez seus estudos com a elite britânica, no prestigiado Colégio Eton, e foi para Oxford estudar Letras Clássicas, ao lado de David Cameron, hoje líder do Partido Conservador.

Uma carreira no jornalismo o levou ao "Daily Telegraph" e, depois, à revista conservadora "Spectator", onde foi editor-chefe.

Apesar dos vários momentos difíceis na política, ele sempre conseguiu se destacar, apostando em sua patetice e em seu humor, que fizeram dele uma coqueluche dos jornais.

Freqüentemente reticente sobre seu programa, Boris Johnson promete, antes de tudo, trazer "a mudança".

"Sabemos muito pouco sobre a maneira como ele se comportará se for eleito", comentou Tony Travers, especialista da London School of Economics, que prevê que Boris se cercará de uma equipe de assessores para ajudá-lo, caso vença.

Na contramão de tudo isso, Ken Livingstone, que luta por um terceiro mandato, reconhece em "Boris" um concorrente sério. "É o adversário mais formidável que eu já tive em minha carreira política", afirmou.


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