Conselho Sul-americano de Defesa pode entrar em vigor este ano, diz Jobim

Caracas, 14 abr (EFE).- O Conselho Sul-americano de Defesa (CSD) pode ser uma realidade antes do fim deste ano, assegurou hoje o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, depois de se reunir em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

EFE |

Jobim explicou que aproximadamente quatro meses depois da reunião que acontecerá em maio da União Sul-Americana (Unasul) haverá um encontro para estabelecer qual será o formato geral do CDS.

"Acho que o Conselho poderá ser instalado no final deste ano", disse Jobim na sede do Governo venezuelano.

O ministro da Defesa ratificou que não há possibilidade de os Estados Unidos entrarem no Conselho, por não pertencerem à América do Sul.

Também afirmou que os países sul-americanos não precisam pedir permissão a Washington para iniciar um mecanismo que é de seu interesse.

"Conversei há pouco tempo com as autoridades dos Estados Unidos e lhes disse claramente que vamos fazer o que for de interesse da América do Sul. Não há nenhuma possibilidade de participação dos EUA, porque o Conselho é sul-americano e os EUA não estão na América do Sul. Não temos que pedir permissão aos EUA para fazer isto", disse Jobim.

O ministro esclareceu que o CDS não terá unidades militares "operacionais", porque "não é uma aliança militar clássica".

"Não há nenhuma corrida armamentista na América do Sul. Não pretendemos expansões territoriais, mas devemos ter armas para poder ter e projetar uma capacidade de dissuasão", explicou o ministro.

Jobim confirmou que nos próximos dias visitará Suriname, Guiana, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai e Argentina, em um trabalho para seguir concretizando aspectos da iniciativa.

"A força da América do Sul nasce da integração de seus povos. A América do Sul tem de ter uma forte presença no concerto das nações do mundo", manifestou Jobim.

O ministro da Defesa também assegurou que não há diferenças de critério com Chávez, embora elas possam ocorrer no momento de expressar verbalmente o projeto.

Imagens transmitidas pela TV estatal "Venezolana de Televisión" mostraram que a reunião foi assistida pelos ministros venezuelanos de Relações Exteriores, Nicolás Maduro, e da Defesa, general-em-chefe Gustavo Rangel.

Não houve declarações por parte de representantes do Governo venezuelano.

A iniciativa de criar o CSD partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de no começo de março a Colômbia violar o território equatoriano para atacar um acampamento clandestino das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nesse país.

Jobim não quis especular sobre a possibilidade de o Conselho intervir em crise similares no futuro, e assinalou que o principal é assumir sua criação e atuar no momento em que acontecerem os problemas.

Segundo o Governo federal, o objetivo do CSD seria permitir a conjunção de posições no âmbito da defesa e, inclusive, a complementaridade das indústrias militares da região.

Também serviria para potenciar a troca de pessoal entre as Forças Armadas dos países da região e impulsionar a realização de exercícios militares conjuntos, assim como participar de operações de paz das Nações Unidas (ONU). EFE rr/mh

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