Com mais de 85% das urnas apuradas, sandinista conquistou 62,65% dos votos, segundo Conselho Supremo Eleitoral

O Conselho Supremo Eleitoral (CSE) oficializou nesta segunda-feira a reeleição do presidente da Nicarágua , Daniel Ortega, que venceu as eleições no último domingo com 62,65% dos votos, uma tendência considerada irreversível.

Quero parabenizar, após ler este dado oficial, o atual presidente da República por sua reeleição. Se todos os votos das mesas receptoras que faltam ser apurados fossem a favor do candidato do segundo lugar, não haveria possibilidades de alcançar Ortega", disse o titular do CSE, Roberto Rivas.

Foto de Daniel Ortega tirada em 11 de setembro
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Foto de Daniel Ortega tirada em 11 de setembro

Depois de contados os votos de 85,8% das seções eleitorais, o CSE anunciou que o líder sandinista conquistou 1.320.619 votos (62,65%), contra 652.585 (30,96%) de seu principal adversário, o empresário Fabio Gadea, do opositor Partido Liberal Independiente (PLI).

Em terceiro lugar nas eleições ficou o ex-presidente Arnoldo Alemán (1997-2002), do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), com 126.995 votos, equivalente a 6,02%.

O governo da Nicarágua proclamou na madrugada desta segunda-feira o presidente Ortega como vencedor das eleições gerais, após terem sido divulgados os primeiros resultados oficiais, que lhe davam ampla vantagem sobre o segundo colocado.

Quase paralelo à leitura dos resultados desta segunda-feira, Gadea, 79 anos, optou por não reconhecer o triunfo do adversário porque o processo esteve, segundo ele, infestado de irregularidades, e a Nicarágua sofreu uma "fraude de proporções inauditas".

A Constituição da Nicarágua proíbe a reeleição imediata do presidente, mas a Corte Suprema de Justiça declarou a norma inaplicável, o que abriu o caminho para que Ortega se apresentasse como candidato.

A jornada, para a qual foram chamados 3,4 milhões de eleitores, foi marcada por denúncias de irregularidades e incidentes, com confrontos entre opositores e sandinistas em Manágua, no norte do país, com vários feridos e detidos, além da queima de urnas.

As missões da Organização de Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE) denunciaram "obstáculos" a seu trabalho por parte do CSE - integrado, em maioria, por funcionários ligados ao sandinismo -, e "fraudes", mas ainda não divulgaram a avaliação final das eleições.

O Instituto Para o Desenvolvimento e a Democracia (Ipade), um dos organismos de observação nicaraguenses, informou que, em uma amostra de 1.274 mesas, foram vistos 23 fiscais da oposição serem expulsos, e apenas 25% delas contavam com os cinco fiscais como determina a lei eleitoral.

Outra fundação, a Ética e Transparência (EyT), filial na Nicarágua da organização Transparência Internacional, declarou ainda que a contagem dos votos não era confiável. Segundo o diretor da EyT, Roberto Courtney, entre 15% e 20% das mesas eleitorais funcionaram sem fiscais dos partidos de oposição, o que, segundo ele, constitui "um indício de fraude".

Uma hora após o fechamento das urnas, Courtney explicou que, ao não garantir os fiscais da oposição em todos os centros de votação, "o Estado ficou contando sozinho" os votos, o que torna a apuração "não justa, não honesta e não crível".

A Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH) emitiu um comunicado na noite de ontem denunciando, por sua vez, que em 80% das 1.200 mesas eleitorais visitadas por seus observadores havia funcionários incentivando os cidadãos a votarem em Ortega, além de pessoas favoráveis ao governo para intimidar os eleitores.

Partidários de Ortega comemoram sua vitória em Manágua, capital da Nicarágua (06/11)
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Partidários de Ortega comemoram sua vitória em Manágua, capital da Nicarágua (06/11)

Ortega, que governou durante a década de 80 e retornou ao poder em 2007, não aparece em público desde que depositou seu voto, mas sua mulher e chefe de campanha, Rosario Murillo, proclamou-o vencedor na noite de domingo. "A todos os nicaraguenses afirmamos: contem com este governo que é de vocês, vocês estão escolhendo o comandante Daniel, estão votando para que sigamos todos juntos, pelo caminho do bem, com bom coração, deixando para trás ressentimentos, o ódio", declarou Rosario. "Esta é uma vitória do cristianismo, do socialismo e da solidariedade.”

Ele se tornou o primeiro governante a ser reeleito consecutivamente no país desde o fim da ditadura, em 1979. Ortega detém forte popularidade construída a partir de uma série de programas sociais financiados com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seu aliado. Os programas incluem melhorias na saúde e educação, financiamento para negócios e a entrega de casas ou animais à população pobre, como vacas ou galinhas.

Mais cedo, Chávez e o líder cubano, Raúl Castro, felicitaram Ortega e se comprometeram a manter as estreitas relações bilaterais. Milhares de pessoas saíram às ruas da capital, Manágua, para festejar a vitória do líder sandinista.

Com AFP, EFE e Reuters

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