Conselho dos Guardiões do Irã aceita recontar votos contestados

TEERÃ - O principal órgão legislativo do Irã, o Conselho dos Guardiões, descartou nesta terça-feira a possibilidade de anular a eleição presidencial que desencadeou os maiores protestos de rua no país desde a revolução islâmica de 1979, mas informou que está preparado para a recontagem parcial dos votos.

Redação com agências internacionais |

No que aparenta ser a primeira concessão das autoridades ao movimento de protesto, o Conselho dos Guardiões, formado por 12 homens, afirmou estar pronto para uma nova apuração de votos na eleição em que o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito com grande vantagem.

Mas o poderoso Conselho rejeitou pedidos de reformistas de anulação da eleição da sexta-feira que originou crescente turbulência política e atraiu a atenção para o país, que é o quinto maior exportador de petróleo do mundo e está envolvido numa disputa nuclear com o Ocidente.


Protestos terminaram em violência na última segunda-feira / AP

A decisão aponta que os votos serão recontados em áreas contestadas pelos candidatos derrotados. "Se o Conselho dos Guardiões chegar à conclusão de que foram cometidas infrações como compra de votos ou utilização de carteiras de identidade falsas, ordenará uma recontagem", afirmou o porta-voz Abas Ali Kadjodai.

Os resultados provisórios, que devem ser ratificados pelo conselho para que a reeleição seja oficial, deram a vitória ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, com 62% dos votos.

A surpreendente maioria absoluta do líder gerou uma onda de violência e de protestos em todo o país que na segunda-feira terminou com a morte de pelo menos sete pessoas , além de dezenas de feridos e detidos. Não foi informado se os mortos eram os manifestantes de oposição ou outras pessoas.


Policiais reprimem manifestação em Teerã / Reuters

Dezenas de milhares de manifestantes favoráveis ao candidato presidencial derrotado Mirhossein Mousavi desafiaram uma proibição do governo e lotaram ruas do centro de Teerã na segunda-feira para protestar contra o resultado oficial da eleição de sexta-feira, que deu a Ahmadinejad a reeleição com uma boa margem.

Novas manifestações estão sendo convocadas por partidários de Ahmadinejad e Mousavi nesta terça-feira e estão marcadas para acontecer no mesmo local - a Praça Vali Asr, no centro de Teerã.

* Com AFP, Reuters e BBC

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