Conselho dos Guardiões descarta anulação de eleições no Irã

O Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona as eleições no país, descartou a anulação das eleições presidenciais realizadas no dia 12 de junho, segundo informou, nesta terça-feira, a rede de televisão estatal iraniana. Na segunda-feira, o Conselho havia reconhecido que houve irregularidades em mais de 50 zonas eleitorais durante a votação, mas um porta-voz disse ao canal em inglês Press TV que o órgão não encontrou uma grande fraude ou violação que justificasse uma anulação.

BBC Brasil |

Na noite de segunda-feira, após mais um dia de protestos da oposição contra o resultado das eleições, que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, representantes dos Estados Unidos, de países europeus e da Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram a repressão contra as manifestações no país, que deixaram ao menos 17 mortos até agora.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo pelo fim imediato das prisões, das ameaças e do uso da violência contra os manifestantes.

Ban afirmou que está acompanhando com "preocupação" a crise política no país e pediu que o governo do Irã "respeite os direitos civis e políticos, especialmente a liberdade de expressão, de associação e de informação".

O secretário-geral da ONU pediu ainda que "governo e oposição resolvam as suas diferenças de maneira pacífica, por meio do diálogo e da lei".

Ban afirmou esperar "que a vontade democrática do povo do Irã seja completamente respeitada".

'Comovido'

Nos Estados Unidos, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, voltou a afirmar que o presidente Barack Obama está preocupado com a violência no Irã, e defendeu novamente que os direitos dos iranianos sejam respeitados.

AFP

Manifestantes enfrentam a polícia em Teerã

"O presidente continua acompanhando a situação do Irã e se coloca a favor da justiça, e continua a alertar o governo iraniano contra o uso da violência", afirmou Gibbs.

O porta-voz ainda afirmou que Barack Obama está "comovido" com as imagens dos protestos transmitidas pela televisão, "particularmente pelas imagens das mulheres do Irã que estão lutando por seu direito de se manifestar e se expressar".

Na Grã-Bretanha, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que vai retirar do Irã os familiares dos diplomatas da embaixada britânica no país.

Em mais uma reação à crise no Irã, o governo da Itália anunciou que instruiu sua embaixada em Teerã a fornecer ajuda humanitária a manifestantes que sejam feridos durante os confrontos com a polícia.

A Presidência rotativa da União Europeia, ocupada atualmente pela República Checa, divulgou um comunicado pedindo que o governo do Irã interrompa as prisões em massa e condenando "as restrições impostas à imprensa e a jornalistas".

Gás lacrimogêneo

Ainda na segunda-feira, em mais um dia de confrontos entre manifestantes e policiais nas ruas de Teerã, a polícia iraniana utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto na capital do país.

Cerca de mil pessoas se reuniram na manifestação, na praça Haft-e Tir, apesar da advertência da Guarda Revolucionária do Irã, que havia ameaçado reprimir protestos realizados sem a permissão das autoridades.

De acordo com testemunhas, a polícia contou com o apoio de membros da milícia Basij armados com cassetetes para conter a manifestação.

A onda de protestos no Irã começou depois que Ahmadinejad foi declarado o vencedor nas eleições.

O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição.

Mousavi pediu aos seus simpatizantes que continuem os protestos, mas sem colocar suas vidas em risco.

Análises:

Leia também:

Leia mais sobre: Irã

    Leia tudo sobre: eleiçõesirãprotesto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG