Conselho de Segurança vai se reunir para tratar da situação no Sudão

NOVA IORQUE - O Conselho de Segurança da ONU programou uma reunião para esta sexta-feira para discutir a questão do Sudão, cujo presidente, Omar al-Bashir, ordenou a expulsao de ONGs depois de ser alvo de uma ordem de prisão internacional por crimes contra a humanidade.

Redação com AFP |

Reuters
Mulher protesta contra al-Bashir em frente à sede da ONU, em NY

Mulher protesta contra al-Bashir em
frente à sede da ONU, em NY


Os países ocidentais querem discutir a situação humanitária resultante das ordens de expulsão dada pelo presidente sudanês na véspera contra 13 organizações não-governamentais.

Segundo a ONU, mais de um milhão de pessoas podem passar fome no Sudão, com a morte de milhares, em consequência da expulsão das ONGs de Darfur.

"Com a saída das ONGs, e se o governo não reconsiderar sua posição, 1,1 milhão de pessoas ficarão sem comida, 1,5 milhão ficarão sem cuidados médicos e mais de um milhão sem água potável", explicou a porta-voz do gabinete de coordenação para Assuntos Humanitários da ONU, Elizabeth Byrs.

"Os medicamentos que temos aqui são suficientes para apenas um mês. Depois disso, será uma catástrofe", disse Zana Coulibaly, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), responsável por um ambulatório em Darfur, construída pela ONG expulsa pelas autoridades sudanesas.

"É claro, não há nenhuma dúvida de que as pessoas vão morrer em decorrência da decisão de Cartum de expulsar 13 ONGs internacionais ativas em Darfur, acrescentou.

Agravantes

Darfur, região no oeste do Sudão que vem sofrendo desde 2003 uma guerra civil responsável por 2,7 milhões de desabrigados, é palco da mais importante missão humanitária no mundo, de acordo com a ONU.

As ONGs se ocupam da distribuição das rações enviadas pelo Programa de Alimentos Mundial (PAM), do acesso à água potável e dos cuidados com a saúde.

"E há uma epidemia de meningite começando. Fizemos uma campanha de vacinação (...) mas tememos pelas consequências disso", contou a profissional da Costa do Marfim.

Expulsão

Centenas de estrangeiros que prestam serviços humanitários em Darfur estão em Cartum preparando-se para deixar o Sudão nas próximas horas após a ordem de expulsão.

"Tivemos de abandonar 80 pessoas no hospital de Nertiti" (Darfur-Oeste), lamentou Thierry Durand, chefe das operações da MSF. "As autoridades sudanesas fecharam os escritórios da organização em Cartum, confiscaram telefones e material de informática", contou.

A Ação contra a Fome (ACF), que está entre as ONGs expulsas, afirmou nesta sexta-feira em Paris que as crianças atendidas por desnutrição aguda em Darfur estão em perigo.

"As crianças internadas atualmente em nossos centros de nutrição estão ameaçadas de morte", afirmou a ONG.

Al-Bashir voltou a criticar a ordem de prisão emitida contra ele e afirmou que isso não mudará a política de seu governo.

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