Conselho de Segurança faz reunião para tratar sobre situação em Gaza

Nações Unidas - O Conselho de Segurança da ONU foi convocado neste domingo em caráter de urgência para realizar consultas sobre a situação criada pelos ataques da aviação de Israel contra áreas civis no território palestino de Gaza.

Redação com agências |

"Fomos informados que o Conselho de Segurança convocou consultas sobre o Oriente Médio", informou um porta-voz das Nações Unidas.

Ataques

A Força Aérea israelense voltou a bombardear na noite deste sábado alvos do Hamas, plataformas de lançamento de foguetes e estradas, após um ataque aéreo em massa que deixou pelo menos 225 mortos e 750 feridos, segundo testemunhas e fontes da segurança palestinos.

A última operação destruiu a estrada Saladino, a principal de Gaza, à altura norte, que liga as localidades de Beit Hanoun, Beit Lahia e Jabalya, sem deixar vítimas, acrescentaram as testemunhas.

Reuters
Policial israelense em local atingido pelo Hamas



Um míssil ar-terra destruiu uma oficina metalúrgica no norte da Faixa, que, em algumas ocasiões, é usada para a fabricação de foguetes Qassam com encanamentos, segundo as fontes de segurança.

Os aviões de combate deixaram cair sua munição também contra a sede da organização Al-Nour, vinculada ao Hamas, que sofreu graves danos.

Os moradores na Cidade de Gaza, a mais afetada pelos ataques de sábado, contam que helicópteros e aviões militares israelenses estão sobrevoando atualmente a zona.

AP
Criança ferida chega nos braços do pai ao hospital Shifa, na Faixa de Gaza


O Exército israelense não confirmou nem desmentiu os novos ataques, que fizeram parte da operação militar mais violenta de Israel contra os palestinos desde a Guerra dos Seis Dias de 1967. Os bombardeios começaram pouco depois do meio-dia.

Em dois minutos, 50 aviões e helicópteros da Força Aérea israelense destruíram 30 prédios, em sua maioria sedes das forças de segurança do Hamas -grupo que controla Gaza desde junho de 2007-, muitas delas situadas em zonas residenciais.

No ataque, morreram o responsável da Polícia do Hamas em Gaza, Tawfiq Jaber, o chefe da Segurança do Hamas, Ismail al-Jaabari, e o governador da circunscrição de Al-Wusta, na Gaza Central, Ahmad Abu Aashur.

Os militares israelenses disseram que os alvos dos ataques eram "infra-estrutura terrorista". Eles afirmaram que caso necessário continuarão e ampliarão a ofensiva.

Uma fumaça negra e espessa tomou o céu sobre a Cidade de Gaza, onde mais de 30 ataques foram realizados, destruindo várias instalações policiais do Hamas, incluindo duas onde aconteciam cerimônias de formatura de novos recrutas.

Reuters
Fumaça sobe após ataque israelense em Gaza


Imagens de TV mostravam corpos no chão, e mortos e feridos sendo carregados do local. Vários edifícios foram atingidos.

Operação militar "em larga escala"

O bombardeio ocorre dois dias depois que o governo israelense adotou a decisão de empreender uma operação militar em grande escala em Gaza, se os grupos armados palestinos continuassem com o lançamento de foguetes contra o território de Israel.

Segundo a imprensa israelense, a execução dessa intervenção militar aconteceria a partir de domingo, para dar tempo às autoridades egípcias de realizar uma última tentativa de mediação entre Israel e Hamas.

A mediação egípcia tinha o objetivo de renovar a trégua que as duas partes assinaram em junho e concluiu sua intervenção no último dia 19.

Reuters/Suhaib Salem
Base policial do Hamas destruída após bombardeio de Israel, em Gaza

Israel

O comando da Defesa Civil da região sul de Israel, próxima à Faixa de Gaza, recomendou que os habitantes preparem seus abrigos com tudo o que for necessário, como rádios, baterias, água, brinquedos para distrair as crianças e flahsligths, informou o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky.

Os habitantes precisam saber que terão de 14 a 30 segundos, no máximo, para chegar aos abrigos, porque há possibilidade de mais ataques de qassams e morteiros.

Fim da trégua

Os ataques aéreos aconteceram após o fim, há uma semana, de uma trégua de seis meses em Gaza. Na quinta-feira, o premiê de Israel, Ehud Olmert, alertou o Hamas para que parasse de disparar foguetes contra alvos israelenses ou então que enfrentasse as consequências.

Uma dezena de foguetes foi disparada de Gaza na sexta-feira. Um matou de forma acidental, no norte de Gaza, duas crianças palestinas, segundo médicos.

Neste sábado, corpos eram empilhados, e feridos se contorciam em dor. Os que mostravam sinais de vida eram levados para carros e ambulâncias.

Alguns dos que faziam o resgate batiam na própria cabeça e gritavam: "Allahu akbar" (Deus é grande). Testemunhas disseram que os ataques foram realizados por aviões e helicópteros de combate.

"Todos os combatentes têm a ordem de responder a carnificina israelense", afirmou um comunicado do Jihad Islâmico. O Hamas e outros grupos armados se pronunciaram no mesmo sentido.

Um assessor de Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, declarou que os militares estão preparados para intensificar as ações, se necessário.

"A operação será realizada e ampliada de acordo com a necessidade", afirmou o assessor à Reuters. "Estamos enfrentando um período que não vai ser fácil ou simples."

Em março, uma ofensiva israelense de cinco dias matou mais de 120 pessoas.

(*Com informações da Efe, AFP e Reuters)

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