Conselho de Segurança da ONU pede desarmamento nuclear

Por Louis Charbonneau e Matt Spetalnick NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas, em reunião de cúpula liderada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, aprovou por unanimidade nesta quinta-feira uma resolução pedindo que os países dotados de armas nucleares eliminem seu arsenal.

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Obama presidiu a reunião realizada na sede da ONU em Manhattan. É a primeira vez que um presidente dos EUA coordena uma cúpula do Conselho de Segurança desde a criação da entidade, em 1946.

Foi apenas a quinta vez que o Conselho de Segurança se reuniu com os chefes de Estado e de governo, e a primeira vez em que o fez exclusivamente para tratar da proliferação e do desarmamento nucleares.

"Convoquei esta cúpula para que possamos tratar no nível mais alto de uma ameaça fundamental à segurança de todos os povos e todas as nações -- a disseminação e o uso de armas nucleares", disse Obama ao conselho.

"Esta própria instituição foi fundada na aurora da era atômica, em parte porque a capacidade humana de matar precisava ser contida, e, embora tenhamos evitado um pesadelo nuclear durante a Guerra Fria, agora enfrentamos proliferação de âmbito e complexidade tamanhas que requerem novas estratégias e novas abordagens."

Obama disse que o próximo ano será "absolutamente crítico" para determinar se os esforços para impedir a disseminação e o uso de armas nucleares terão êxito.

A resolução redigida pelos EUA pede "novos esforços na esfera do desarmamento nuclear" e exortou todos os países que não assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1970, a fazê-lo.

A resolução também pede o fim da proliferação de armas atômicas e exige que os signatários do TNP cumpram sua promessa de não desenvolver ogivas nucleares.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -- Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França -- têm bombas atômicas.

Os signatários do TNP que não possuem arsenais nucleares se queixam há décadas de que as potências nucleares oficiais não têm cumprido seus compromissos, ao mesmo tempo em que buscam impedir outros países de ingressarem no chamado "clube nuclear".

MUDANÇA NA POLÍTICA DE DESARMAMENTO DOS EUA

Diplomatas e analistas disseram que a decisão dos EUA de organizar a cúpula assinala uma mudança acentuada na política de desarmamento, promovida pela administração Obama. O predecessor de Obama, George W. Bush, desagradou a muitos signatários do TNP por ignorar os compromissos de desarmamento assumidos por governos americanos anteriores.

A resolução também exortou "outros Estados" não signatários do TNP a unir-se aos esforços de desarmamento para livrar o mundo das bombas atômicas.

Esses Estados, não citados por nome na resolução, são o Paquistão e a Índia, que não assinaram o TNP mas sabidamente possuem arsenais atômicos, e Israel, que não confirma nem nega possuir armas nucleares, mas acredita-se que possua um arsenal considerável de ogivas.

A Coreia do Norte abandonou o TNP em 2003 e testou seu primeiro artefato nuclear em 2006 e outro este ano.

A resolução também pede que os países membros da ONU ratifiquem um tratado que proíbe a realização de testes nucleares e manifesta apoio às negociações sobre a proibição da produção de materiais físseis para ogivas.

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