Conselho de Segurança da ONU exige a Israel fim da violência em Gaza

Nações Unidas, 28 dez (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência para pedir a Israel o fim imediato das hostilidades na Faixa de Gaza, alvo de fortes bombardeios aéreos desde sábado.

EFE |

Após quase cinco horas de encontro no sábado à noite, os 15 membros do principal órgão da ONU solicitaram a israelenses e palestinos a "cessação imediata" da violência na área, e que seja permitida a chegada de ajuda humanitária a Gaza.

Segundo um documento divulgado após a reunião, a ONU pediu também que sejam atendidas "as graves necessidades humanitárias e econômicas em Gaza, e a tomar as medidas necessárias, incluindo a abertura das passagens de fronteira, para garantir o contínuo fornecimento de provisões".

A reunião foi convocada a pedido da Líbia, em representação dos países árabes das Nações Unidas, após o bombardeio israelense iniciado sábado na Faixa de Gaza, que deixou 271 mortos e 900 feridos até agora.

Segundo fontes médicas da Autoridade Nacional Palestina (ANP), os alvos dos ataques foram escritórios do Hamas - que tem o controle político da região -, usinas metalúrgicas e mesquitas.

Em resposta, as milícias palestinas dispararam a partir de Gaza 64 foguetes artesanais Qassam contra o sul de Israel. A operação representa o mais sangrento ataque israelense contra os palestinos desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

A declaração conjunta divulgada pelo Conselho não faz menção expressa aos ataques. O documento original lembraria o alto número de mortes entre a população palestina - o que inclui muitos civis -, mas uma proposta feita posteriormente pela Rússia retirou este dado.

O documento final, de apenas três parágrafos, pede às partes "que ponham fim imediato a todas as atividades militares" e ressalta "a necessidade da restituição da calma em sua totalidade, o que abrirá o caminho para encontrar uma solução política aos problemas existentes".

O representante da ANP na ONU, Riad Mansur, ressaltou à imprensa ao término da reunião a importância de o Conselho ter aprovado uma declaração conjunta pedindo o fim do conflito.

"Se Israel não atender os pedidos da comunidade internacional para que pare sua agressão em um prazo de entre 24 e 48 horas, asseguro a vocês que recorreremos ao Conselho para conseguir que o país respeite o pedido do cessar-fogo imediato", comentou.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad, afirmou que seu país quer o fim da violência e que os palestinos tenham suas necessidades humanitárias atendidas, mas "é necessário que cessem os ataques com foguetes a Israel, porque essa nação tem o direito de se defender".

Além disso, ele insistiu na necessidade de levar em conta a "seqüência" dos fatos, já que "o lançamento de foguetes foi o que desencadeou a violência atual".

A embaixadora de Israel, Gabriela Shalev, afirmou que o único culpado pela situação é o Hamas, acusando o grupo extremista de manter os cidadãos de Gaza "como reféns".

"Os últimos dias foram tão difíceis que tivemos de dizer basta.

Não tínhamos outra opção senão realizar uma operação militar", argumentou Shaley.

O representante russo na ONU, Vitaly Churkin, lembrou que a região entrou novamente "no círculo vicioso da violência", e que isto é "extremamente perigoso".

"Embora não seja um documento de caráter legal e não fale sobre todos os aspectos da situação, esperamos que as partes o levem muito a sério", afirmou.

Pouco antes do fim da reunião, o presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D'Decoto, qualificou de "gratuita" a agressão israelense na Faixa de Gaza.

Ele também pediu aos membros e órgãos das Nações Unidas que reajam com rapidez e determinação se não quiserem ser "cúmplices por omissão".

Segundo palavras de seu porta-voz, Enrique Yeves, à Agência Efe, D'Decoto interrompeu suas férias na Nicarágua para retornar a Nova York - sede da ONU - e acompanhar mais de perto o desenrolar dos eventos.

"Chegou o momento de atuar decididamente, porque se as Nações Unidas não intervierem com firmeza, serão cúmplices por omissão", assegurou D'Decoto através de seu porta-voz. EFE mgl/dp

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