Conselho de Segurança da ONU e Liga Árabe retomam negociações sobre Gaza

Nações Unidas, 7 jan (EFE).- Os membros do Conselho de Segurança da ONU e os ministros de Exteriores da Liga Árabe retomaram hoje as rodadas de contatos iniciadas na terça-feira para tentar chegar a um acordo que leve a um cessar-fogo em Gaza.

EFE |

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, decidiu permanecer hoje em Nova York para manter reuniões com o chanceler francês, Bernard Kouchner, assim como com os responsáveis de Exteriores de países árabes que, há três dias, tentam forçar o Conselho a ordenar o fim das hostilidades.

Além disso, está prevista a retomada das consultas a portas fechadas dos 15 integrantes do principal órgão da ONU às 18h (de Brasília) para discutir um projeto de resolução apresentado pela Líbia para deter a ofensiva israelense e a proposta de trégua anunciada na terça-feira pelo Egito e pela França.

Fontes diplomáticas falaram da possibilidade de a Líbia retirar seu texto, por não contar com o respaldo de membros suficientes do organismo, particularmente dos cinco permanentes (França, Reino Unido, EUA, Rússia e China).

Washington e Londres manifestaram reiteradamente sua oposição ao projeto de resolução por considerá-lo "desequilibrado", já que não menciona o papel do movimento islâmico Hamas no conflito.

A retirada do texto líbio abriria a possibilidade de o Conselho adotar uma declaração de respaldo às gestões realizadas pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, e pelo líder francês, Nicolas Sarkozy, explicaram as fontes.

Na terça-feira, o Conselho de Segurança não chegou a um acordo sobre um debate aberto em relação à crise em Gaza do qual participou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, mas a maioria dos países que estiveram presentes aprovou a iniciativa franco-egípcia.

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, advertiu hoje em entrevista coletiva de que qualquer acordo que for alcançado para colocar fim às hostilidades precisa abordar "as razões que desencadearam" a atual crise.

Entre estas razões, lembrou a recusa do Hamas em deixar de bombardear o sul de Israel, a decisão dos israelenses de manter o bloqueio do território palestino e a separação de Gaza da Cisjordânia depois que o movimento islâmico tomou o poder na Faixa, em junho de 2007.

"Se queremos um cessar-fogo duradouro, não se pode voltar à situação que existia em Gaza (antes de 27 de dezembro, quando começou a ofensiva israelense), que estava cheia de problemas", destacou Serry.

Além disso, lembrou que a trégua anterior, negociada pelo Egito, cuja ruptura por parte do Hamas causou a ofensiva israelense, não funcionou porque não havia um mecanismo de verificação de seu cumprimento.

Já o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, destacou que a situação da população de Gaza é "cada vez pior", devido à escassez de alimentos e remédios, aos cortes de água corrente e eletricidade, e às dificuldades das ambulâncias para se deslocar por causa dos bombardeios israelenses.

Holmes agradeceu que as duas partes tenham interrompido hoje as hostilidades durante três horas, mas lamentou que não tenha sido possível aproveitar essa oportunidade ao máximo, já que a trégua não foi avisada com antecedência e havia dúvidas sobre em quais regiões seria aplicada. EFE jju/db

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