Conselho de Segurança da ONU abre as portas ao México e fecha ao Irã

Joaquim Utset. Nações Unidas, 17 out (EFE).- O México fará parte pela quarta vez em sua história do Conselho de Segurança da ONU, após conseguir um apoio quase unânime da Assembléia Geral, que, no entanto, fechou as portas às aspirações do Irã para voltar ao principal órgão da instituição.

EFE |

A candidatura mexicana recebeu na votação secreta o apoio dos 192 países da Assembléia, com exceção de seis que se abstiveram e de um que votou no Brasil, que não era candidato.

Os outros países selecionados na eleição deste ano foram Uganda, Japão, Turquia e Áustria, que, assim como México, conseguiram o apoio dos dois terços da câmara na primeira rodada de votação.

O embaixador do México na ONU, Claude Heller, considerou o alto apoio obtido por seu país uma medida de como a comunidade internacional avalia a política externa do presidente mexicano, Felipe Calderón.

"É um grande dia para a política externa do México e para o Governo do presidente Calderón", considerou o embaixador mexicano na saída da reunião da Assembléia, ao mesmo tempo em que destacou o fato de que a candidatura mexicana tenha obtido o apoio unânime do Grupo de Países da América Latina e Caribe (Grulac) na ONU.

O consenso regional garantiu a escolha do México para substituir o Panamá no Conselho de Segurança em 1º de janeiro de 2009, e evitou a repetição de confrontos como o protagonizado há dois anos por Guatemala e Venezuela.

Heller disse que seu país se guiará pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas em sua quarta participação no Conselho de Segurança, do qual já fez parte em 1946, 1980-1981 e 2002-2003.

"O México é um país leal à Carta das Nações Unidas", disse.

O embaixador afirmou que uma das prioridades do México no Conselho será devolver o protagonismo na agenda multilateral à luta contra o narcotráfico, como expressou Calderón no mês passado em seu discurso no debate da 63ª Assembléia Geral.

O Governo mexicano solicitou uma maior cooperação internacional para enfrentar o ferrenho combate que realiza contra as grandes organizações criminosas que dominam o tráfico de drogas da América do Sul à fronteira com os EUA.

O Irã foi claramente superado pelo Japão na concorrência pelo posto vazio no grupo regional asiático, para alívio de Governos que, como o dos EUA, estão em confronto com o Governo iraniano devido ao programa nuclear iraniano e aos supostos vínculos de Teerã com o terrorismo islâmico.

A candidatura japonesa obteve 158 votos frente aos 32 alcançados pelo Irã, que não faz parte do Conselho de Segurança desde o biênio 1955-1956.

O Irã considerava que sua escolha traria um grau de "igualdade" ao Conselho de Segurança, do qual menos da metade dos 192 Estados-membros da ONU fizeram parte por mais de dois anos.

O argumento pareceu não convencer a Assembléia Geral, que preferiu enviar pela nona vez o Japão ao Conselho de Segurança, do qual esse país asiático busca ser membro permanente.

O embaixador britânico na ONU, John Sawers, vinculou a falta de apoio ao Irã com o fato de o país se negar a obedecer as resoluções do Conselho de Segurança sobre a suspensão do enriquecimento de urânio no programa nuclear iraniano.

"A derrota total, a surra que receberam, é um indício importante da preocupação de todos os países-membros com a atuação do Irã", disse o diplomata.

Os outros dois ganhadores do dia foram Turquia e Áustria, que superaram a Islândia na concorrência pelos dois postos disponíveis no grupo da Europa Ocidental.

A Turquia conseguiu 151 votos, a Áustria, 133 e a Islândia, 87.

A Uganda também foi escolhida sem oposição pelo grupo regional africano para substituir a África do Sul em janeiro.

A Assembléia Geral renova anualmente cinco dos dez postos não-permanentes do Conselho de Segurança, que são divididos por regiões geográficas entre Europa Ocidental, Europa Oriental, África, Ásia, e América Latina e Caribe. EFE jju/an

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