Conselho de Segurança começa a debater pedido de adesão palestino

Debate sobre reconhecimento de Estado deve ser amplamente simbólico perante a promessa de veto dos EUA

iG São Paulo |

A histórica reivindicação palestina por um Estado começou a ser debatida nesta segunda-feira no Conselho de Segurança da ONU, no qual será alvo de um debate amplamente simbólico perante a promessa de veto dos EUA . O processo deverá durar pelo menos quatro semanas. Segundo um importante diplomata da ONU, as discussões do Conselho vão até o fim de outubro, e podem se estender até novembro.

O presidente rotativo do órgão, o embaixador libanês Nawaf Salam, disse que circulou a carta com o pedido para todos os 15 membros (dos quais EUA, Reino Unido, França, Rússia e China são permanentes, com poder de veto) na semana passada.

AP
Em protesto na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, homem mostra cartaz com o que chama de 'inimigos dos palestinos': Merkel, Obama e Sarkozy

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, apresentou seu pedido pelo reconhecimento perante a 66ª Assembleia Geral da ONU na sexta-feira, iniciativa que Israel caracteriza como prematura. Assim como os EUA, Israel argumenta que negociações são o único caminho para o estabelecimento de um Estado palestino.

Para a demanda palestina ser aceita, são necessários nove dos 15 votos do Conselho de Segurança e nenhum veto. Seis membros do Conselho de Segurança, permanentes ou não, disseram que aprovam o pedido palestino: Brasil , China, Índia, Rússia , Líbano e África do Sul. Os membros indecisos que não revelaram sua posição foram Reino Unido, França, Alemanha, Nigéria, Bósnia, Portugal e Gabão. A Colômbia se absterá.

Os líderes palestinos afirmaram que, caso percam no Conselho, poderão recorrer ao voto direto na Assembleia Geral de 193 países, onde precisariam de dois terços para mudar seu status de "entidade" observadora, sem direito a voto, para Estado observador, mesma classificação que o Vaticano detém na ONU.

A medida palestina na ONU fez com que o Quarteto para o Oriente Médio (EUA, ONU, Rússia e União Europeia) pedisse novos diálogos de paz com o objetivo de alcançar um acordo até o fim do próximo ano.

O Quarteto solicita uma reunião dentro de um mês, no máximo, entre israelenses e palestinos para que se forme uma agenda de negociações, que deverá contar com um prazo final para uma resolução que não passe de 2012.

Além disso, o Quarteto propõe que cada um dos lados apresente suas propostas em relação a território e segurança em até três meses, estipulando o prazo de até seis meses para que elas sejam discutidas.

Para isso, os mediadores internacionais pretendem se reunir em uma conferência internacional em Moscou. Entre outros pontos, eles também dizem ter o compromisso de se encontrar regularmente e intensificar sua cooperação com os dois lados.

No sábado, Abbas - que foi recebido como herói ao voltar à Cisjordânia no domingo - sinalizou que rejeitará a proposta . Em declarações à imprensa, o líder reafirmou que não aceitará nenhuma iniciativa que não exija o fim dos assentamentos e um Estado palestino com as fronteiras de 1967. A proposta do Quarteto não faz nenhuma das duas exigências.

Desde a ocupação da Cisjordânia em 1967, Israel construiu 130 novos assentamentos onde vivem 300 mil colonos e mais 200 mil outros israelenses se instalaram em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.

Na Faixa de Gaza, o líder do grupo islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, manifestou-se contrariamente ao pedido de adesão à ONU feito por Abbas. "Você estabelece um Estado quando liberta (a terra)", disse Haniyeh, cujo grupo governa Gaza desde 2007 . "Libertação antes, e então soberania. Estados não são construídos sobre resoluções da ONU."

Popularidade do premiê de Israel

O discurso pronunciado depois do de Abbas na Assembleia Geral fez com que a popularidade do primeiro-ministro israelense , Benjamin Netanyahu, crescesse em Israel. A aprovação ao líder direitista saltou de 32% para 41% em dois meses, período em que Israel conviveu com protestos populares contra o custo de vida , de acordo com a pesquisa publicada pelo jornal Haaretz, de viés de esquerda.

No seu discurso de sexta-feira , Netanyahu criticou Abbas por solicitar a adesão plena palestina à ONU. Netanyahu indicou que não pretende abandonar a expansão dos assentamentos judaicos da Cisjordânia, o que os palestinos dizem ser um pré-requisito para a retomada do diálogo.

Ele também repetiu o apelo, tradicionalmente rejeitado pelos árabes, para que os palestinos reconheçam o caráter judaico de Israel. Os palestinos temem que isso inviabilize o eventual retorno de refugiados palestinos ao território israelense.

Medo de ataque

Por temor a um iminente ataque terrorista, Israel restringiu a passagem para seus nacionais até novo aviso à região hoteleira egípcia de Taba, na Península do Sinai, informou nesta segunda-feira o serviço de notícias Ynet.

O posto de fronteira de Taba, na localidade israelense de Eilat, no sul do país e às margens do Mar Vermelho, impediu no domingo a travessia dos israelenses para o lado egípcio da fronteira, enquanto permitiu a passagem para quem mostrava um passaporte estrangeiro. Israel não proibiu seus cidadãos de viajar ao Egito, mas sim de entrar na região hoteleira e do cassino perto da divisa.

As relações entre Israel e Egito esfriaram desde a queda em fevereiro do regime de Hosni Mubarak, que renunciou após quase três décadas no poder.

*Com EFE e AFP

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