Conselho de Segurança aprova redução da missão da ONU no Haiti

Cerca de 3 mil membros da Minustah deverão ser retirados do país caribenho em um prazo de 12 meses

iG São Paulo |

AFP
Manifestantes no Haiti exigem retirada das tropas da missão da ONU; no cartaz lê-se: "Brasil + Chile = Ocupação" (14/9)
O Conselho de Segurança da ONU concordou nesta sexta-feira com a retirada de cerca de 3 mil soldados e policiais de sua missão no Haiti, a Minustah, para que ela volte a ter níveis mais próximos dos existentes antes do terremoto de janeiro de 2010.

Desse modo, permanecerão no país caribenho cerca de 10,5 mil efetivos contra os cerca de 9 mil que a força possuía antes do devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010 que terminou com um saldo de 250 mil mortos.

A retirada de aproximadamente 1,7 mil policiais e 1,6 mil soldados, que será realizada nos próximos 12 meses, foi aprovada por unanimidade pelos 15 países membros do Conselho de Segurança, entre eles o Brasil , que também lidera a Minustah. O plano é que permaneçam no país 7.340 soldados e 3.241 policiais.

A ONU considera que é possível reduzir os efetivos da Minustah graças à pacífica situação política em Porto Príncipe, com um novo presidente e um novo primeiro-ministro após vários meses de instabilidade.

Mobilizada desde junho de 2004, a missão conta com soldados provenientes de 18 países, em sua maioria latino-americanos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, havia demonstrado no dia 19 de setembro, durante um encontro com o presidente haitiano, Michel Martelly, sua intenção de reduzir o contingente da Minustah aos níveis anteriores ao terremoto.

Apesar da melhora na situação da segurança, a resolução da ONU ressalta "uma preocupação de que desde o terremoto houve um aumento nos níveis das principais categorias de crimes, incluindo homicídio, estupro e sequestro na capital Porto Príncipe e na região oeste". Mas o conselho garante que o Haiti "tem feito progressos consideráveis" desde o terremoto.

"Pela primeira vez na história, o Haiti viveu uma transferência pacífica de poder entre um presidente eleito democraticamente e outro da oposição."

Acusada por vários epidemiologistas de ter levado ao Haiti o vírus da cólera , responsável por uma epidemia que deixou mais de 5,5 mil mortos no país, a missão da ONU está há algumas semanas no centro de um escândalo após a divulgação na internet de imagens nas quais capacetes azuis uruguaios supostamente estupraram um jovem haitiano de 18 anos.

O número de capacetes azuis mobilizados no mundo chega atualmente ao nível recorde de 120 mil.

Com AFP, AP e BBC

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