Conselho de Segurança analisa retomar negociações sobre Saara Ocidental

Nações Unidas, 22 abr (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU analisou hoje em reunião com o enviado especial do organismo para o Saara Ocidental, Christopher Ross, as possibilidades de retomar o diálogo entre o Marrocos e a Frente Polisário sobre o futuro da região.

EFE |

Ross informou em uma sessão a portas fechadas aos 15 membros do principal órgão da ONU sobre os seus contatos com as duas partes e os países vizinhos para tentar realizar uma nova rodada das negociações iniciadas em 2007, disseram à Efe fontes diplomáticas.

As delegações expressaram a vontade de que Rabat e a Frente Polisário retornem à mesa de diálogo depois da interrupção das conversas há mais de um ano, assinalaram.

As mesmas fontes indicaram que também foi discutida a renovação do mandato da Missão para o Plebiscito do Saara Ocidental (Minurso), que expira no próximo dia 30.

Mesmo assim, algumas delegações mencionaram a possibilidade de incorporar à missão algum tipo de mecanismo de supervisão da situação dos direitos humanos no território que o Marrocos ocupa desde 1975.

A Minurso é a única das missões da ONU de sua natureza que não conta com a responsabilidade de supervisionar o respeito pelos direitos humanos, algo que a Frente Polisário considera como uma tentativa de Rabat de esconder a repressão ao povo saaráui.

"É algo indefensável", assegurou à Efe o representante do movimento independentista saaráui perante a ONU, Ahmed Bukhari.

O dirigente da Frente Polisário disse que o Conselho de Segurança põe em risco seu papel de garantidor do processo de paz por causa da oposição da França, o principal aliado marroquino no órgão, a incluir uma referência a esta matéria no mandato da Minurso.

"O Conselho de Segurança deve deixar de ver o conflito pelo prisma francês e deve começar a vê-lo à luz de sua responsabilidade sob a Carta das Nações Unidas", afirmou.

Marrocos e a Frente Polisário realizaram em março de 2008 nos EUA sua última rodada de negociações, a quarta desde que retomaram em junho de 2007 os contatos diretos, sem conseguir aproximar as posições.

Para o Marrocos, a única saída aceitável para o conflito é realizar um plebiscito de autonomia no território.

Já para a Frente Polisário, qualquer plebiscito de autodeterminação para o Saara Ocidental deve incluir a independência entre as opções. EFE jju/bba

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