Conselho de Guardiães descarta repetição de eleições no Irã

Teerã, 23 jun (EFE).- O Conselho de Guardiães deve anunciar amanhã o resultado da apuração feita em 10% das urnas das eleições presidenciais do Irã, realizadas no dia 12 de junho, cuja anulação já foi descartada.

EFE |

Os três candidatos derrotados denunciaram supostas irregularidades a favor do vencedor, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, e solicitaram a repetição das votações.

Os Guardiães admitiram, em parte, as irregularidades, ao aceitar, na segunda-feira, que em pelo menos 50 cidades do país foram contabilizados mais votos que pessoas registradas para votar.

No entanto, advertiu que nem a apuração aleatória, nem o fato de haver mais votos mudarão substancialmente o resultado eleitoral e que em nenhum momento a repetição das eleições foi considerada.

"Se tivesse ocorrido uma grave ilegalidade nas eleições, o Conselho teria anulado os votos nas urnas, colégios, distritos ou cidades afetadas, como já fez em outras ocasiões em eleições parlamentares", disse o porta-voz do Conselho, Ali Abbas Kadkhodaei.

"Mas felizmente, nestas eleições presidenciais, não achamos rastros de fraude maciça. Não houve violações graves. Portanto não há possibilidade de anulação do pleito", afirmou.

Os resultados eleitorais dividiram o país e evidenciaram os graves conflitos dentro da cúpula de poder do Irã.

Desde a divulgação do resultado, o país é palco de protestos e enfrentamentos que, até o momento, causou pelo menos 20 mortes, segundo números oficiais.

O subdiretor do Centro Eleitoral Nacional, Ali Asghar Sharifi Rad, anunciou que os resultados de cada urna serão publicados para "não deixar dúvidas sobre a vitória do atual presidente".

"Durante as eleições prévias, o resultado de cada urna foi confidencial, só acessível para certos responsáveis", afirmou.

"Nesta ocasião ele serão publicados para resolver as ambiguidades", acrescentou Sharifi Rad, citado pela agência iraniana "Irna".

Durante o processo legal e enquanto a oposição procura formas alternativas de protesto, o Governo continua com seus ataques à comunidade internacional, com acusações de alguns países promoverem os distúrbios para provocar uma "revolução de veludo".

Teerã acusou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, hoje, de "ingerência nos assuntos internos" do país. Ele pediu, na segunda-feira, a liberdade de todos aqueles que protestaram contra os resultados eleitorais do dia 12 de junho.

"Suas declarações são contra as atribuições da Secretaria-Geral da ONU e do direito internacional e constituem uma interferência nos assuntos internos do Irã", disse o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do país, Hassan Qashqavi.

"Com seu discurso, perdeu credibilidade diante dos olhos dos países independentes", afirmou.

Ki-moon pediu às autoridades iranianas que ponham fim às prisões e aos enfrentamentos contra os membros da oposição que protestam por causa dos resultados das eleições presidenciais, considerados fraudulentos.

A sugestão do secretário-geral da ONU não teve efeito algum, já que hoje a Polícia iraniana prendeu mais um jornalista, o correspondente do "Washington Times", Iason Athanasiadis.

Segundo a agência estatal de notícias "Irna", o repórter, de origem grega e nacionalidade também britânica, foi preso no aeroporto Imam Khomeini, de Teerã, quando ia sair do país, na semana passada.

Desde o endurecimento, na terça-feira, da repressão contra as manifestações da oposição, o Irã impediu jornalistas estrangeiros a cobrirem eventos na rua sem uma permissão especial.

Além disso, ordenou a expulsão do correspondente permanente da emissora britânica "BBC" em Teerã, John Leyne, e prendeu o repórter da revista americana "Newsweek", Maziar Bahari.

Hoje a presença de jornalistas estrangeiros continuou proibida na manifestação de estudantes convocada em frente à embaixada britânica em Teerã, para protestar contra a suposta intromissão do Reino Unido nos assuntos internos do Irã.

A concentração foi adiada para amanhã pelos próprios estudantes, por não terem a permissão do Ministério do Interior iraniano para a realização da manifestação. EFE msh-jm/pd

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