Conselho de Guardiães criará nova comissão e regime endurece discurso no Irã

Teerã, 26 jun (EFE).- O setor mais conservador do regime iraniano endureceu hoje seu tom contra a oposição, horas antes de o Conselho de Guardiães anunciar a criação de uma comissão para investigar a polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

EFE |

Em declarações divulgadas pela agência estudantil de notícias "Isna", o porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodai, explicou que a comissão será formada por responsáveis políticos e representantes dos candidatos que apresentaram as objeções.

"Na presença da comissão, 10% das urnas serão apuradas novamente e suas conclusões serão divulgadas", explicou o porta-voz.

Participarão figuras como o ex-presidente do Parlamento Gholam Ali Haddad Adel e o antigo ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Ali Akbar Velayati.

Horas antes, e da principal tribuna política do país, o imame Ahmad Khatami, tinha pedido uma punição exemplar para "aqueles que lideraram os distúrbios" que sacodem Irã desde a polêmica reeleição.

"As pessoas que lideraram os protestos devem ser acusadas como Mohareb (os que atacam a Deus)", advertiu o aiatolá Ahmad Khatami, um dos clérigos mais próximos ao líder supremo da revolução, Ali Khamenei.

"O Poder Judiciário deve puní-los de forma contundente e sem piedade para que todo mundo aprenda a lição", ressaltou o clérigo.

"As eleições foram épicas. Foram uma amostra da autoridade e da grandeza do sistema da República Islâmica do Irã", disse Khamenei.

"Consideramos que protestar é direito de todos, sempre e quando seja feito por vias legais", acrescentou Khatami, que ressaltou que o Conselho de Guardiães atuou de forma correta para analisar as queixas.

O conselho, órgão encarregado de validar os resultados eleitorais, assegurou hoje que não encontrou nenhum indício de fraude nas eleições.

"Podemos dizer com total segurança que não houve fraude na apuração", afirmou Kadkhodai.

"As investigações realizadas durante os últimos dez dias revelaram que só houve irregularidades menores, frequentes em toda votação, mas nada realmente grave que afete a Presidência", acrescentou, em declarações divulgadas pela agência estatal "Irna".

Neste sentido, Khatami voltou a acusar os países ocidentais de causarem os distúrbios e advertiu que a imprensa internacional não deve dizer tudo o que quer.

"Alguns tentaram amargar a doçura desta experiência na boca do povo. Os estrangeiros utilizaram sua propaganda negativa", afirmou.

"A imprensa britânica, européia e americana mostraram sua deslealdade nesta história. Utilizaram todos os meios para provocar o povo. Peço ao Governo que os controle", pediu.

Por isso, o clérigo chamou todos os iranianos a deixarem de lado as disputas que "só beneficiarão os inimigos", já que não haverá mais que amargura para o povo.

"Temos que aceitar que sem lei, o país se transformará em uma selva. O país que deseja desenvolvimento deve respeitar a lei", afirmou.

Além disso, advertiu que é injusto colocar a legitimidade das eleições em dúvida e avisou que causar distúrbios é um ato de guerra contra o povo e o país.

Ainda hoje, o aiatolá Nasser Makarem Shirazi, um dos clérigos mais importantes e influentes do xiismo iraniano, convocou os dirigentes de seu país a buscarem a "reconciliação nacional" e a evitarem políticas que ponham em risco a coesão da República Islâmica.

"É preciso fazer algo para evitar que fiquem restos debaixo das cinzas e garantir que a hostilidade, o antagonismo e as rivalidades se transformem em amizade e cooperação entre as facções", afirmou.

"É preciso trabalhar em favor do futuro do país. Uma solução que permita a reconciliação nacional deve ser encontrada", sugeriu em comunicado divulgado em seu site. EFE msh-jm/pd

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