Conselho de Defesa não se inspira em alianças militares, diz Jobim

Montevidéu, 15 mai (EFE) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje em Montevidéu que o projeto de criação de um Conselho de Defesa para a América do Sul não se inspira nas alianças militares clássicas já existentes, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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"Tentaremos articular a confiança, a transparência e a segurança" dos países-membros da União de Nações Sul-americanas (Unasul), disse Jobim aos jornalistas após se reunir com o ministro da Defesa uruguaio, José Nayardi, e com a Comissão de Defesa do Parlamento.

Para o ministro brasileiro, a estabilidade na América do Sul é "uma necessidade", já que é nos países da área que se encontram grandes reservas de água, de energia e de alimentos.

A discussão de políticas de defesa, a elaboração de "livros" de atuação, a formação de militares e inclusive a troca de pessoal são algumas das questões das quais o Conselho poderia se encarregar.

Jobim destacou as possibilidades de desenvolvimento econômico que supõem as indústrias de defesa para a região e lembrou a necessidade de aproveitar as "qualificações individuais" dos países neste aspecto.

"As indústrias de defesa não se vinculam somente a questões militares, mas também têm sua parte civil", explicou o ministro, para quem os desenvolvimentos tecnológicos que podem ser efetuados nesse terreno são "importantísssimos".

Jobim deve visitar a Bolívia na segunda-feira para concluir a rodada de apresentação do projeto, que já expôs em Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, entre outros países.

O ministro brasileiro reconheceu que encontrou respostas "diferentes, mas concordantes" nas diferentes nações e destacou o "entusiasmo" mostrado pelo Equador e Chile.

No outro extremo, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi "muito cauteloso", mas "não rejeitou a proposta" e prometeu "estudá-la minuciosamente", acrescentou.

Além disso, o ministro anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva submeterá a criação do Conselho de Defesa à discussão na próxima Cúpula da Unasul, prevista para 23 de maio em Brasília.

Ao ser questionado sobre o restabelecimento, após quase 60 anos, da 4ª Frota dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, Jobim disse que responde a uma "mera questão organizativa, e não operacional", do Exército americano. EFE mtc/db

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