Conselho de Defesa da Unasul é posto de lado em 1º grande teste

Eduardo Davis. Brasília, 27 ago (EFE).- O acordo militar negociado entre Colômbia e Estados Unidos é a primeira prova de fogo para o Conselho de Defesa da União de Nações Sul-americanas (Unasul), impulsionado pelo Brasil como um espaço de cooperação que consolide a América do Sul como uma zona de paz.

EFE |

No entanto, o Conselho de Defesa da Unasul ficou à margem do debate sobre o tema, que foi assumido diretamente pelos chefes de Estado.

Quando surgiram as polêmicas negociações entre Colômbia e EUA, que permitirão a utilização de até sete bases militares em solo colombiano por soldados americanos, o presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe de Estado do Chile, Michelle Bachelet, convocaram o Conselho de Defesa do organismo para tratar o assunto.

Porém, o conselho ainda não se reuniu para debater o tema, que será discutido pelos próprios presidentes na cúpula de amanhã, na cidade de Bariloche, na Argentina.

A proposta brasileira para a criação do Conselho de Defesa nasceu em meio ao conflito surgido na região em março de 2008, após a incursão militar colombiana contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador, que resultou na morte de "Raúl Reyes" e outros 16 guerrilheiros.

Em princípio, a Colômbia mostrou resistência ao conselho e defendia que a "situação particular de terrorismo" vivida no país, além do conflito político que enfrentava com Venezuela e Equador pela incursão, não ajudavam a criar o clima apropriado.

Finalmente, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, aceitou a incorporação de seu país e o Conselho de Defesa da Unasul foi oficializado em uma reunião realizada em março, no Chile.

A nova instituição foi concebida como um "espaço de debate e cooperação" para promover consultas e coordenação em matéria de defesa.

Em seus estatutos, diz claramente que não se envolverá nas decisões de compra de armas de cada país, mas criará mecanismos para medir as aquisições de cada membro.

Nos últimos anos, advertiu sobre uma possível corrida armamentista e que a despesa militar aumentou consideravelmente em alguns países da Unasul, mas, mesmo assim, diversos organismos internacionais concordam que a América do Sul é ainda uma das regiões que menos investe em armas no mundo.

O último relatório do Centro Internacional de Conversão (BICC, na sigla em inglês), com sede em Bonn (Alemanha), diz que as despesas militares mundiais superaram US$ 1,3 trilhão e correspondem em 45% aos EUA.

Segundo o Instituto de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), os 12 países que fazem parte da Unasul gastaram US$ 34,1 bilhões em armas em 2008, embora haja divergências sobre o número, já que o Centro de Estudos Nova Maioria, em Buenos Aires, fala em US$ 51,11 bilhões.

Este último organismo detectou um aumento de 30% na despesa militar regional entre 2007 e 2008.

Um estudo da Rede de Segurança e Defesa da América Latina (Redsal, em espanhol) diz que os orçamentos de defesa dos 12 países sul-americanos, de acordo com dados oficiais, chegaram a US$ 48 bilhões em 2008, 67% deles em gastos com pessoal.

Na maioria dos casos, as compras de armas não foram incluídas nos orçamentos, pois muitas vezes têm caráter secreto e são financiadas com outros recursos, como ocorre no caso da Venezuela, grande comprador regional de armamento nos últimos anos.

Segundo a Redsal, em 2008, as maiores verbas para defesa foram empregadas pelo Equador e pela Colômbia, que, respectivamente, destinaram 10,7% e 9,3% de seus orçamentos nacionais ao setor.

Depois desses dois países vêm Chile (8,4%), Uruguai (7,3%), Peru (5,8%), Venezuela (5,2%), Argentina (5,1%) e Brasil (3,1%), enquanto o menor orçamento destinado à área de defesa foi o da Bolívia (2,41%). EFE ed/pd/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG