Conselho da União Africana condena ordem de detenção contra Bashir

Adis-Abeba, 5 mar (EFE).- O Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) expressou hoje sua inconformidade com a ordem de detenção contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, por crimes de guerra e lesa-humanidade, emitida na quarta-feira pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

EFE |

Em comunicado emitido em sua sede de Adis-Abeba, a UA pediu ao presidente de sua Comissão, Jean Ping, que envie uma delegação de alta categoria ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York para tentar convencê-lo de que deixe sem efeito a medida contra Bashir.

"Lamentamos que isso tenha ocorrido, apesar de nossa solicitação de que a ordem de detenção fosse suspensa por um ano", disse aos jornalistas o embaixador de Burkina Fasso na Etiópia, Bruno Zidouemba, que também é o representante permanente de seu país na União Africana.

Segundo Zidouemba, que ocupa atualmente a Presidência rotativa do Conselho de Paz e Segurança da UA, "a preocupação com a justiça deve ser acompanhada da preocupação com a paz".

O Conselho de Paz e Segurança da UA manteve hoje uma reunião de emergência para analisar a ordem de detenção do TPI, que tenta processar Bashir pela acusação de ser responsável pela violência que atingiu Darfur entre 2003 e 2008.

Segundo a acusação, Bashir ordenou que as forças governamentais sudanesas atacassem três grupos étnicos não árabes da região com a intenção de "neutralizá-los". Na onda de violência subseqüente, cerca de 300 mil pessoas morreram e outros 2,5 milhões foram deslocadas de seus lugares de origem.

Bashir, que ocupa o poder no Sudão após um golpe militar liderado por ele em 30 junho de 1989, é o primeiro presidente em exercício sobre o qual o TPI emite uma ordem de detenção.

"É inédito na história da África que um chefe de Estado tenha sido acusado (oficialmente) desta maneira", disse Zidouemba, enquanto o embaixador sudanês na Etiópia e representante permanente na UA, Mohieldin Salim Ahmed, disse que o Governo e o povo do Sudão condenam taxativamente a medida do TPI.

Segundo Ahmed, "as ações do promotor e da Corte são de caráter político e incompatíveis com as regulações da lei internacional".

EFE mc/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG