Conselho da ONU entrega pedido palestino ao Comitê de Adesões

Transferência do requerimento de adesão de um Estado palestino às Nações Unidas foi decidida por unanimidade pelos 15 membros

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu por alguns minutos nesta quarta-feira, decidiu de forma unânime entregar o pedido palestino para integrar a Organização das Nações Unidas (ONU) ao Comitê de Adesões do Conselho.

AFP
Nawaf Salam (dir), atual presidente do Conselho de Segrança, e Riyad Mansour, chefe da delegação palestina na ONU, conversam em reunião

Durante uma reunião de menos de dois minutos, o presidente em exercício do Conselho de Segurança, o embaixador libanês na ONU, Nawaf Salam, leu um breve comunicado sobre a transferência da candidatura palestina ao Comitê de Adesões.

Nenhum dos 15 países membros do Conselho, que atualmente inclui o Brasil, manifestou qualquer objeção. Salim validou a entrega e anunciou uma próxima reunião do comitê para a manhã de sexta-feira.

Normalmente, o período de revisão para uma candidatura de adesão é de no máximo 35 dias, mas diplomatas ocidentais disseram que esse limite pode ser estendido e pode levar muito mais tempo para o caso palestino.

O chefe da delegação palestina na ONU, Riyad Mansour, recebeu bem a decisão. "Estamos gratos ao Conselho de Segurança por agir de forma decisiva e clara sobre nosso pedido", disse. "O processo está seguindo adiante passo a passo, e esperamos que o Conselho de Segurança assuma sua responsabilidade e aprove nosso requerimento."

Ele reiterou que os palestinos esperavam que o processo não demorasse muito. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse querer a revisão concluída dentro de semanas.

O Conselho de Segurança fez as primeiras consultas sobre o histórico pedido de adesão de um Estado palestino como membro pleno às Nações Unidas na segunda-feira. Abbas apresentou a solicitação oficialmente na sexta-feira passada, enquanto acontecia a Assembleia Geral da ONU em Nova York.

O governo dos Estados Unidos já anunciou que usará o poder de veto - poder consenstido também para a China, Rússia, Reino Unido e França - para evitar uma possível aprovação do pedido. Autoridades americanas afirmaram reiteradas vezes que a adesão unilateral de um Estado palestino à ONU prejudicaria as negociações de paz com Israel . Até agora, dizem os diplomatas ocidentais, os palestinos têm seis votos garantidos para o seu lado e, supondo que nenhum membro vetasse, eles ainda precisariam de nove favoráveis.

O embaixador israelense na ONU, Ron Prosor, declarou nesta quarta-feira que a Palestina "não será o 194° Estado da ONU" e pediu aos palestinos que retomem, sem perda de tempo, as negociações diretas.

Israel deu seu apoio nesta quarta à proposta do Quarteto para o Oriente Médio para iniciar as negociações de paz na região no prazo de um mês e com vistas à declaração de um Estado palestino em 2012. A decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi tomada na noite de terça após uma reunião de várias horas com os oito ministros mais importantes de seu governo, segundo apontou a edição online do jornal Ha'aretz.

O plano do Quarteto, formado por EUA, União Europeia, Rússia e ONU, foi apresentado horas depois do pedido de Abbas à organização e se inspira em uma ideia do presidente francês , Nicolas Sarkozy, com a qual tentava encontrar uma saída à encruzilhada diplomática criada pelo pedido palestino.

O anúncio do apoio israelense aconteceu pouco depois da aprovação de uma comissão de planejamento urbanístico, dependente do Ministério do Interior, à construção de 1,1 mil casas em um bairro judaico no sul de Jerusalém ocupado durante a Guerra dos Seis Dias de 1967. O fim dos assentamentos é condição primeira para os palestinos retomarem as negociações de paz.

Na terça-feira, EUA, União Europeia e ONU condenaram o projeto e o negociador palestino, Saeb Erekat, considerou que com ele "Israel respondeu ao Quarteto e à iniciativa francesa com 1,1 mil 'nãos'".

A Rússia pediu nesta quarta que Israel desista de construir as casas no local. "Essa informação causa uma grande preocupação em Moscou. Esperamos que os planos de construção em Jerusalém Oriental sejam revisados", informou a Embaixada em comunicado.

Para o país, os planos israelenses são alarmantes, já que foram anunciados no momento em que a comunidade internacional tenta somar esforços para a retomada das negociações diretas entre palestinos e israelenses. A Rússia sempre apoiou o desejo de criar um Estado palestino independente e é um dos países que anunciou seu voto a favor da adesão à ONU.

Greve de Fome

Milhares de palestinos detidos nas penitenciárias de Israel iniciaram nesta quarta uma greve de fome para denunciar o isolamento carcerário, informou o ministro palestino para os Prisioneiros, Issa Qaraqae. "Posso confirmar que todos os palestinos detidos nas prisões israelenses iniciaram uma greve de fome de três dias, que pode ser prolongada, como advertência à administração israelense", disse Qaraqae.

De acordo com o ministro, cerca de 200 presos da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e outros iniciaram na terça uma greve de fome ilimitada para protestar contra o isolamento contínui de seu secretário-geral, Ahmad Saadat, há quatro anos", afirmou o ministro palestino.

"Há presos isolados há dez anos", completou Qaraqae, antes de destacar que o protesto também é uma denúncia ao respeito das medidas punitivas contra os prisioneiros. "As autoridades penitenciárias adotaram graves sanções e medidas sem precedentes, provocando a rebelião dos prisioneiros contra todas as regras nas prisões da ocupação", disse o ministro.

Mais de 5 mil palestinos, incluindo 200 menores de idade, estão detidos em Israel, segundo a organização israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem.

Com AFP, EFE e Reuters

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