Estrasburgo (França), 16 abr (EFE).- A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou hoje uma resolução na qual convida seus 47 Estados-membros a descriminalizar o aborto, caso ainda não o tenham feito, a garantir o direito das mulheres a esta prática e a suspender as restrições existentes.

A resolução, aprovada por 102 votos a favor, 69 contra e 14 abstenções, pede respeito à autonomia da mulher para tomar suas decisões, a "oferta de condições para uma escolha livre e clara", o acesso a um "aborto sem riscos" e uma melhora na prestação dos serviços de contracepção.

A Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa também requisitou um custo razoável para a realização do aborto e medidas para que, obrigatoriamente, os jovens recebam educação sexual.

O debate despertou grande interesse dos parlamentares, já que 43 pediram a palavra e foram feitas 70 emendas no texto original da resolução.

O documento diz que o aborto "não deve ser proibido", já que a imposição de restrições não necessariamente fará a prática diminuir.

A legisladora Gisela Wurm, da esquerda austríaca, disse que o objetivo da resolução é proteger as mulheres, já que 40% dos abortos são praticados em condições não higiênicas.

Por sua vez, a holandesa Christine McCafferty, também de esquerda, disse que o aborto legal permitiu que a taxa de interrupções voluntárias da gravidez em seu país se tornasse a menor do mundo.

Já o liberal irlandês Terry Leyden se posicionou contra a resolução, enquanto o polonês Ryszard Bender afirmou que "o aborto é um assassinato". EFE ja/sc

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