Consagrado medalhista na classe Laser, o velejador brasileiro Robert Scheidt chegou a Pequim como estreante olímpico na classe Star. Mesmo com uma campanha irregular, o bicampeão olímpico da Laser conseguiu, ao lado do proeiro Bruno Prada, conquistar a sua primeira medalha na nova classe ao cruzar em terceiro lugar a regata final, nesta quinta-feira nas águas da cidade chinesa de Qingdao.

A dupla brasileira ficou com a prata.

Scheidt e Prada tiveram um começo fraco na série de dez regatas Olímpicas e foram se recuperando aos poucos. Eles chegaram a terminar regatas em 10º e 11º lugar. No penúltimo dia, a dupla já estava em terceiro lugar na classificação geral.

Na véspera da regata final, Scheidt e Prada se diziam focados em tentar a medalha de bronze, já que as chances de ouro e prata eram muito pequenas.

Expectativa de ouro
Antes dos Jogos, a expectativa era grande sobre o timoneiro Scheidt, velejador com três medalhas olímpicas no currículo: ouro em Atenas 2004 e Atlanta 1996 e prata em Sydney 2000.

Vencedor de mais de 100 regatas internacionais ao longo da careira, e oito vezes campeão mundial na classe Laser, o paulista vinha treinando na Star há três anos e apesar de ser um estreante nessa categoria na Olimpíada em Pequim já tinha demonstrando habilidade com o novo barco, o que fortaleceu as esperanças da torcida.

A dupla já vinha colecionando resultados positivos antes de chegar à China. Em 2006, Scheidt e Prada lideraram o ranking da Federação Internacional de Vela (Isaf) e foram vice-campeões mundiais da Star.

No ano passado, venceram o Mundial de Portugal, que também foi a primeira classificatória para a Olimpíada. E ainda conquistaram o torneio Pré-Olímpico realizado nas próprias raias dos Jogos em Qingdao, em agosto de 2007.

Mais exposição
Na Star, Scheidt tem enfrentado um barco maior, mais pesado, com um tripulante a mais e que exige menos preparação física e mais técnica do que o Laser.

"A mudança (da Laser para a Star) transcende até o resultado. Acho que era o momento de tentar alguma coisa diferente. Nós estamos muito felizes velejando na Star juntos", disse Scheidt à BBC Brasil na terça-feira.

Segundo o velejador, a escolha da Star aconteceu devido ao amadurecimento do atleta e também à exposição internacional que a classe traz.

Velejadores de Star costumam ser convidados a participar de grandes eventos do iatismo mundial, como a regata ao redor do mundo Volvo Ocean Race, e encontram remunerações e patrocínios generosos.

Foi o caso do antecessor de Scheidt na Star, o brasileiro Torben Grael, o maior atleta olímpico do país e o velejador com o maior número de medalhas nos Jogos em todo o mundo (cinco ao todo: dois ouros, uma prata e dois bronzes).

Desde Atenas 2004 Grael se afastou das classes olímpicas e tem dado a volta ao mundo disputando regatas. Ele participou duas vezes da Volvo Ocean Race e uma vez da America's Cup.

Os convites já começam a aparecer para Scheidt também. O medalhista recebeu há alguns meses patrocínio da grife de bolsas italianas Prada e tem perspectiva de participar da America's Cup em breve.

Além disso, ele recebeu há duas semanas atrás o prêmio Rolex World Sailor de melhor velejador do ano pela Federação Internacional de Vela. A honra foi entregue em Qingdao por Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

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