Conheça os candidatos que disputam a Presidência do Irã

Os iranianos vão às urnas nesta sexta-feira, 12 de junho, para escolher o próximo presidente do país. Quatro candidatos foram aprovados pelo Conselho de Guardiões do Irã para participar da disputa, entre eles, o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

BBC Brasil |

Nas últimas eleições, os presidentes que concorriam à reeleição conseguiram ganhar a maioria dos votos, mas, ao que tudo indica, Ahmadinejad enfrentará uma disputa acirrada com os outros três candidatos.

Todos os iranianos com mais de 18 anos de idade podem votar, constituindo um eleitorado de mais de 46,2 milhões de pessoas.

Com base na retórica dos candidatos e em pesquisas de opinião, é possível afirmar que o assunto que mais tem preocupado os eleitores nas eleições deste ano é a economia.

A queda nos preços do petróleo, a inflação, os gastos governamentais e o desemprego estão entre as principais preocupações dos iranianos.

Se nenhum dos candidatos atingir a maioria absoluta dos votos, um segundo turno está programado para o dia 19 de junho.

Conheça agora os candidatos à Presidência do Irã.

Mahmoud Ahmadinejad

O ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, atual presidente do Irã, estava longe de ser o favorito para vencer as últimas eleições presidenciais, em 2005.

Apesar das previsões, no entanto, o então prefeito de Teerã conseguiu vencer o segundo turno das eleições, tornando-se o primeiro não-clérigo a ser eleito presidente do país.

AP

Simpatizantes de Ahmadinejad vão às ruas

Filho de um ferreiro e de fala macia, Ahmadinejad concorreu sob uma plataforma de combate à pobreza e à corrupção, além de ter prometido dividir as riquezas obtidas com o petróleo.

Ele se apresentou durante a campanha como um homem humilde do povo, em um discurso voltado diretamente para as classes mais empobrecidas do país.

Durante seu mandato, ele causou polêmica internacional por causa de sua retórica inflamada e de seus constantes ataques verbais contra Israel e os Estados Unidos.

Sua recusa em interromper os programas nuclear e de desenvolvimento de mísseis do Irã causou protestos no Ocidente, mas fez com que ele angariasse apoio interno.

Ele sempre defendeu o direito do país de desenvolver tecnologia nuclear para uso civil e nega que seu governo esteja procurando construir armas atômicas.

Um de seus últimos atos polêmicos aconteceu em abril deste ano, quando, durante uma conferência da Organização das Nações Unidas, ele afirmou que Israel era um Estado fundado "sob princípios racistas".

Na ocasião, delegados de pelo menos 30 países se retiraram da conferência em protesto.

Ahmadinejad, no entanto, foi recebido como herói no Irã.

No nível doméstico, Ahmadinejad tem sido criticado pelo o que alguns classificam como seu antagonismo com os EUA e por sua inabilidade em combater os problemas econômicos do país.

Apesar das críticas internas, o presidente ainda conta com grande apoio dos militares, da Guarda Revolucionária e da mídia estatal.

Estes apoios, segundo analistas, podem fazer de Ahmadinejad um candidato difícil de vencer.

Mir-Hossein Mousavi

Ex-primeiro-ministro do Irã, Mir-Hossein Mousavi é considerado o principal oponente do presidente Mahmoud Ahmadinejad nestas eleições.

Descrevendo a si mesmo como um "reformista que segue os princípios" da Revolução Islâmica de 1979, ele prometeu durante a campanha combater a imagem "extremista" que o Irã tem no exterior.

Primeiro-ministro entre 1981 e 1989 (quando o cargo foi abolido), ele foi bastante elogiado pela condução da economia do país durante a guerra de oito anos contra o Iraque.

Arquiteto e pintor, Mousavi passou os últimos 20 anos atuando nos bastidores da política iraniana. Entre 1989 e 2005, ele serviu como conselheiro presidencial e membro do Conselho de Discernimento, principal órgão de arbitragem do país.

Sua candidatura à Presidência conta com o apoio de Mohammad Khatami, reformista que governou o Irã entre 1997 e 2005.

Aos 68 anos de idade, Mousavi é conhecido por defender maiores liberdades individuais no país e é um crítico da proibição de existência de canais de televisão privados no Irã.

Mousavi, no entanto, se recusou a abrir mão do programa nuclear iraniano, que, segundo ele, tem propósitos pacíficos.

Ele é atualmente presidente da Academia Iraniana de Artes e fala os idiomas farsi, árabe e inglês.

Mohsen Rezai

Antigo líder da poderosa Guarda Revolucionária iraniana, Mohsen Rezai foi o primeiro entre os quatro candidatos a se registrar para a disputa da Presidência.

Aos 54 anos de idade, ele é o único candidato conservador na disputa contra o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

Rezai também concorreu nas eleições presidenciais de 2005, mas desistiu da candidatura pouco antes do dia da votação.

Crítico declarado de Ahmadinejad, ele acusou o atual presidente do Irã de levar o país para a "beira de um precipício" e prometeu reformar a economia iraniana.

Veterano militar com um PhD em economia, Rezai também prometeu combater a pobreza, a inflação e o desemprego.

A respeito do polêmico programa nuclear do país, Rezai acusou Ahmadinejad de usar uma "linguagem arriscada" sobre o assunto e prometeu "não apoiar nem a passividade nem atos aventureiros".

Sua carreira militar começou antes ainda da Revolução Islâmica de 1979, durante a qual fez parte de uma milícia armada que se opôs ao xá Reza Pahlevi, apoiado pelos Estados Unidos.

Aos 27 anos, ele foi nomeado comandante das divisões da Guarda Revolucionária e liderou as forças durante a guerra de oito anos entre Irã e Iraque.

Em 1997, se tornou secretário do Conselho de Discernimento, o mais alto corpo de arbitragem do país.

Rezai é uma das autoridades iranianas procuradas pela Argentina por suposto envolvimento com um atentado a um centro judaico no país que matou 85 pessoas em 1994.

Mehdi Karroubi

O reformista Mehdi Karroubi, de 72 anos, foi presidente do Parlamento do Irã entre 1989 e 1992, em um período em que a casa era dominada por radicais islâmicos.

Em 2002, ele liderou um protesto no Parlamento contra a prisão de um político reformista.

Nas eleições presidenciais de 2005, ele ficou na terceira colocação, mas criticou o processo eleitoral, afirmando que houve uma "interferência estranha" na contagem dos votos e que teria havido troca de dinheiro para influenciar os resultados.

Karroubi é o único dos candidatos a se declarar como reformista e se opôs a várias políticas do atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Ele é também um dos únicos políticos do Irã que criticou as declarações em que o atual presidente negou o Holocausto de judeus por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Mehdi Karroubi prometeu que, se eleito, adotará uma "política de distensão" com os outros países, em uma mudança em relação à abordagem provocativa de Ahmadinejad.

Karroubi também pediu que a Guarda Revolucionária não interfira nas eleições, e que sua vitória ou derrota deve acontecer "de acordo com a vontade do povo".

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