Congresso Trabalhista pode ser o último de Gordon Brown

O Partido Trabalhista inicia seu congresso anual sábado em Manchester (leste), provavelmente o último do enfraquecido primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que enfrenta uma rebelião interna.

AFP |

Há um ano, um vitorioso Brown presidiu pela primeira vez o congresso do partido, em substituição ao desgastado Tony Blair no número 10 de Downing Street.

Ele chegou ao cargo com a glória de um ministro das Finanças numa década de crescimento econômico sem precedentes no Reino Unido. Desde então, muitas águas rolaram e Brown chega a Manchester com indicadores apontando para uma recessão, em meio à crise mundial do sistema.

Durante seu ano à frente do governo britânico, as más notícias econômicas não param desde o início da crise dos "subprimes" nos Estados Unidos em agosto de 2007.

Em setembro, o Reino Unido foi abalado pela quebra do banco Northern Rock, gerando filas enormes dos correntistas nas portas das agências e forçando o governo a nacionalizá-lo, em fevereiro.

Segundo economistas, o Reino Unido atravessa atualmente dois trimestres de retrocesso de seu PIB, que é a definição técnica de recessão.

Os indicadores explicam tudo: a produção industrial está em queda há cinco meses, o desemprego de agosto foi o mais alto em 15 anos, a inflação está em alta, a 4,7%.

O único dado positivo é o do comércio exterior, graças a um enfraquecimento da libra, pelos indicadores econômicos ruins.

Em entrevista que vai ao ar na noite desta sexta-feira no canal Sky News, Brown usa como argumento para explicar esta situação a crise financeira mundial, citando ainda a alta do petróleo e de outras matérias-primas.

O primeiro-ministro e seus aliados vêm tentando tirar vantagem da crise, sugerindo que este não é o momento para mudar de líder.

"As condições econômicas são tão terríveis que talvez tenhamos que manter Gordon Brown como líder porque seria um pouco idiota trocá-lo por alguém que tem menos experiência econômica", disse o professor Patrick Dunleavy da London School of Economics (LSE).

Mas para outros analistas foi justamente a política adotada por Brown, particularmente no que se refere ao gasto público, que contribuiu para intensificar os problemas econômicos do país.

Estes problemas vêm alimentando a revolta dentro do Partido Trabalhista, comentam os analistas.

Porém, Brown garantiu que não está preocupado com a revolta contra sua liderança porque está centrado "nos sérios problemas" que o país e o mundo estão enfrentando.

od/bur/lm/fp

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