Congresso tem de agir para salvar economia, diz Paulson

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, pediu nesta terça-feira aos congressistas dos Estados Unidos que aprovem rapidamente o plano de resgate econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo na semana passada. Paulson disse à Comissão dos Bancos do Senado que as economias pessoais dos americanos estão em perigo caso o plano não seja aprovado logo.

BBC Brasil |

"Temos que fazer isto para evitar a continuidade da série de falências em instituições financeiras e o congelamento do mercado de crédito que ameaça o bem-estar financeiro das famílias americanas, a viabilidade de pequenos e grandes negócios e a saúde de nossa economia", afirmou.

"Quando o sistema financeiro não funciona como deveria, as economias pessoais dos americanos e a habilidade do consumidor e de empresas para financiar gastos, investimentos e criação de empregos ficam ameaçadas", acrescentou.

Dúvidas
O secretário americano foi ao Congresso acompanhado de Bem Bernanke, presidente do Banco Central americano, do Fed, para tentar vencer as resistências à aprovação do megaplano de resgate do sistema financeiro.

Bernanke também foi enfático ao dizer que os Estados Unidos correm o risco de uma recessão caso o plano apresentado pelo governo não seja aprovado.

"Apesar dos esforços do Fed, do Tesouro e de outras agências, os mercados financeiros internacionais estão sob estresse extraordinário (...). É necessária uma ação do Congresso, com urgência, para estabilizar a situação e evitar o que, de outra forma, poderão ser graves conseqüências para nossos mercados financeiros e para nossa economia", afirmou.

Mesmo com a insistência de Paulson e Bernanke, ainda há várias dúvidas e críticas ao plano formulado por eles.

Uma das questões é se será criado ou não algum tipo de mecanismo para avaliar e regular a implementação do plano.

Para alguns congressistas, haverá uma concentração excessiva de poder nas mãos de Paulson caso o plano seja aprovado como está.

O secretário disse nesta terça que apóia a idéia de que haja supervisão sobre seu trabalho, mas não está claro como isso ocorria.

Outro ponto de discórdia é sobre como os recursos de US$ 700 bilhões serão usados.

A intenção principal é comprar títulos podres dos bancos para, segundo Paulson, "desintoxicar" seus balanços, evitar que quebrem e permitir que voltem a emprestar para ao mercado em geral.

Durante a apresentação desta terça, o presidente do Fed disse que a intenção é que esses títulos de má qualidade sejam comprados pelo seu "valor de maturação" e não pelo seu valor de mercado.

Segundo o editor de economia da BBC Robert Peston, "isso significa que os bancos que venderem seus títulos ao Tesouro (dos EUA) devem receber em dinheiro o equivalente a algo como duas vezes o valor pelo qual esses títulos estão registrados em seus balanços".

Caso essa estratégia seja aprovada, os bancos terão lucro ao vender os títulos podres.

Para Peston, "(a estratégia) vai representar uma grande injeção de capital novo nos sistema bancário americano, pelo qual os contribuintes americanos não vão receber nada em retorno, com exceção da garantia de Paulson e Bernanke de que seu sistema financeiro não vai entrar em colapso".

No Congresso também há a preocupação que os profissionais que encabeçaram as perdas não sejam beneficiados pelo resgate e alguns congressistas querem a limitação de salários de diretores das empresas a serem resgatadas.

Eles querem também alguma forma de apoio direto aos americanos que podem perder suas casas por causa da crise hipotecária.

Pressão
Ainda não está claro quão efetiva será a pressão feita pelos representantes do governo Bush no Congresso.

Por um lado, vários congressistas admitem que devem agir rapidamente - desde que segunda-feira os mercados de ações em todo o mundo voltaram a cair por causa das dúvidas em torno do resgate.

Mas há quem argumente que agir com muita rapidez é muito arriscado.

"Eu entendo que velocidade é importante, mas eu estou muito mais preocupado se nós vamos ou não acertar", disse o senador democrata Chris Dodd, que preside o Comitê em que Paulson e Bernanke falaram.

"Não há segundo ato par isso. Não há idéia alternativa com recursos suficientes se este plano não funcionar."
Além da pressão para agir rapidamente por causa da crise, os membros do Congresso tem um motivo extra para agir rapidamente: eles devem entram em recesso no fim desta semana ou da semana que vem por causa das eleições americanas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG