Congresso russo vota a favor de extensão do mandato presidencial

O Parlamento russo votou nesta sexta-feira a favor de um projeto de lei que aumenta o mandato presidencial de quatro para seis anos. A proposta obteve o apoio de 86% dos votos dos congressistas.

BBC Brasil |

O projeto ainda precisa ser votado mais duas vezes antes de se tornar lei.

Segundo o analista da BBC para assuntos russos Stephen Eke, o projeto de lei provocou fortes especulações sobre uma tentativa do ex-presidente e atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, de voltar ao poder.

Os assessores de Putin, que é aliado de Medvedev, negam que a medida tenha sida tomada para beneficiá-lo individualmente e dizem que o objetivo é reformar a democracia russa no longo prazo.

Ciclo eleitoral
A mudança na lei também estende o mandato de parlamentares. O projeto introduz as reformas mais significativas na Constituição russa desde a sua implementação, há 15 anos.

Os defensores da medida dizem que o atual ciclo eleitoral, com pequeno intervalo de tempo entre as campanhas para o Legislativo e para o Executivo, paralisa o processo de tomada de decisões por um ano inteiro a cada quatro anos.

Eles dizem que o mandato presidencial de seis anos não é um fato incomum em democracias de países ricos.

O presidente do Parlamento, Boris Gryzlov, disse que uma estratégia elaborada por Putin quando ele ainda era presidente criou as condições necessárias para a extensão do mandato.

"Em obediência ao Plano Putin, uma estratégia para o desenvolvimento do país foi feita até o ano de 2020, ou seja, por mais 12 anos", afirmou Gryzlov. "Isso indica que o mandato presidencial na Rússia deveria ser de seis anos."
Na Rússia, o presidente pode ser reeleito uma vez de forma consecutiva.

Para a oposição, a medida tenta beneficiar o grupo de Medvedev e Putin. Segundo o analista da BBC, Medvedev é acusado pela oposição de deixar Putin tomar as principais decisões do país, principalmente nos assuntos internacionais.

"Nós acreditamos que estender os mandatos do presidente e dos parlamentares é uma vergonha para o nosso país, porque nós estamos nos movendo na mesma direção da Ásia Central, onde elegem presidentes vitalícios", disse o parlamentar da oposição, Sergey Mitrokhin.

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