Congresso e Casa Branca aproximam posições sobre plano de resgate

(atualiza com dados sobre aproximação de posições em negociação) César Muñoz Acebes. Washington, 22 set (EFE) - O Governo dos Estados Unidos aceitou hoje algumas propostas democratas para um dos maiores resgates financeiros da história, depois que os líderes do Congresso se recusaram a dar um cheque em branco ao Executivo. Hoje, por meio de um comunicado com o objetivo de marcar o debate público do dia, o presidente americano, George W. Bush, insistiu ainda na necessidade de atuar rapidamente.

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Ele pediu aos legisladores que não incluam cláusulas sem relação com a crise financeira no projeto de lei discutido no Congresso ou disposições que prejudiquem sua efetividade.

Entretanto, os democratas deixaram claro que não vão assinar um cheque de US$ 700 bilhões, volume do pacote negociado, para que o Governo faça o que quiser.

"Seria algo sem precedentes lhe dar US$ 700 bilhões para, virtualmente, um indivíduo sem nenhum tipo de supervisão, transparência e prestação de contas", declarou o democrata Christopher Dodd, presidente do Comitê de Bancos do Senado, em uma entrevista à rede de TV "CBS".

Nesta declaração, Dodd se referia a Henry Paulson, secretário do Tesouro americano, cujo plano inicial, de apenas duas páginas e meia, preservava a máxima flexibilidade para o uso dos fundos sem nenhum tipo de mecanismo de revisão das decisões a serem tomadas para combater a crise.

Após um dia de intensas negociações, Paulson aceitou a criação de um comitê de supervisão, segundo Barney Frank, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara Baixa.

Os democratas também o convenceram de que o Governo deve ter participações nas empresas as quais fornecerá ajuda. Desta forma "se a companhia se tornar rentável, receberemos um pouco mais" por correr o risco, explicou Frank.

Além disso, o Tesouro reconheceu, segundo Frank, que é necessário dar mais assistência aos proprietários de imóveis que correm o risco de perder a casa por não terem como efetuar os pagamentos.

O Tesouro não confirmou se foi possível chegar a um acordo nessas questões.

Frank disse que Paulson, que foi executivo-chefe do banco Goldman Sachs antes de assumir seu atual cargo, não aceitou limitar os salários dos diretores das empresas que recebam a assistência, como reivindicaram os democratas.

"Acho que é inconcebível que se diga aos contribuintes que devem pôr dinheiro em risco pelas decisões tomadas por gente que continua sendo premiada sem nenhuma restrição e premiada, de fato, por seus erros", disse Frank.

Outro dos assuntos sobre os quais não há acordo é a reforma das normas que regem a declaração de falência. Os democratas querem que se permita aos juízes suavizar os termos das hipotecas dos donos de casas em falência para que possam seguir em seus lares.

Os bancos se opõem a essa medida, assim como os republicanos.

Enquanto avançam as conversas entre a Casa Branca e os líderes democratas, emergiram algumas vozes dissidentes.

Richard Shelby, o republicano de mais categoria no Comitê dos Bancos, rejeitou hoje o pacote de resgate em comunicado.

"Para mim, seria insensato esbanjar uma soma enorme de dinheiro dos contribuintes para provar uma idéia que foi elaborada o mais rápido possível e pode de fato fazer com que o Governo tenha que voltar a uma estratégia que não é adequada de resgates caso a caso", afirmou Shelby.

Perante a incerteza sobre o que no final entrará ou não no plano e sua efetividade, as bolsas de Nova York caiu hoje 3,27%, afetada principalmente pelas ações das instituições financeiras.

No entanto, Casa Branca e o Congresso chegaram a um acordo sobre a linha geral do plano: que é necessário, que contará com US$ 700 bilhões e que comprará dívida de má qualidade vinculada às hipotecas para a que agora não há mercado porque ninguém no setor privado quer nem tocá-la.

A Câmara Baixa poderá votar o pacote na quarta ou na quinta-feira, enquanto o Senado faria isto na sexta-feira, informam fontes legislativas. EFE cma/fal/db

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