Congresso dos EUA espera acordo sobre plano econômico até segunda

Líderes dos partidos Republicano e Democrata no Congresso dos Estados Unidos afirmaram neste sábado esperar fechar um acordo sobre o pacote de resgate à economia americana antes da abertura dos mercados na segunda-feira. Neste sábado, líderes da Câmara e do Senado mantiveram as negociações, depois de uma reunião entre representantes do Congresso, da Casa Branca e do Tesouro que avançou noite adentro na sexta-feira para discutir detalhes do plano.

BBC Brasil |

Integrantes dos dois partidos tentam chegar a um acordo sobre o pacote de US$ 700 bilhões anunciado pelo governo americano para socorrer o setor financeiro.

O Congresso deveria entrar em recesso na sexta-feira, mas teve de realizar uma rara sessão no fim de semana devido à necessidade de um acordo sobre o plano.

Os negociadores dos dois partidos querem ter o esboço de um acordo para tranqüilizar os mercados antes da abertura na segunda-feira.

Neste sábado, o senador democrata Harry Reid disse que houve "progresso significativo", mas que ainda havia "um longo caminho" a ser percorrido.

O senador republicano Mitch McConnell disse que o objetivo era anunciar um acordo neste domingo, para que fosse votado na segunda-feira.

No entanto, líderes republicanos na Câmara que discordam de alguns pontos da proposta do governo Bush já afirmaram que não serão apressados para fechar um acordo.

"Nós não vamos seguir nenhum tipo de prazo artificial", disse o republicano Roy Blunt. "Nós estamos seguindo em direção à melhor solução no menor espaço de tempo em que podemos chegar à melhor solução."
Contribuintes
Nas negociações, os democratas buscam garantias sobre como o dinheiro público será gasto.

Alguns republicanos querem que dinheiro privado seja usado no lugar de recursos públicos para salvar empresas privadas.

"Nós não devemos resgatar Wall Street às custas dos contribuintes americanos", disse o republicano John Boehner, líder da minoria na Câmara.

O presidente George W. Bush usou seu programa de rádio semanal neste sábado para tentar tranqüilizar os americanos que estão preocupados sobre o fardo imposto aos contribuintes pelo pacote.

Bush disse que o plano acabaria custando menos que os US$ 700 billhões previstos.

O plano tem como objetivo principal retirar do mercado os "créditos podres" ligados à crise de hipotecas que estão em poder do mercado financeiro nos Estados Unidos.

O governo propôs comprar esses papéis para retirá-los da mão das empresas, fazendo com que sua situação financeira melhore, diminuindo o risco de falência e, em tese, aumentando o volume de dinheiro e crédito à disposição do mercado em geral.

Depois do anúncio inicial sobre o pacote, Ben Bernanke, o presidente do Fed, o banco central americano, esclareceu que a intenção era comprar os títulos de má qualidade pelo seu "valor de maturação" e não pelo seu valor de mercado. Ou seja, por um valor bem maior do que eles possuem atualmente.

Segundo Bush, o valor desses títulos vai aumentar novamente, permitindo que o governo recupere grande parte ou até mesmo todo o investimento.

Propostas
Nas discussões deste sábado no Congresso, ambos os lados cederam para tentar chegar a um acordo.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse que seu partido não insistiria mais na proposta de alterar as leis de falência para permitir a juízes que suspendam a tomada de posse de casas com pagamentos hipotecários atrasados.

Republicanos temiam que a medida desencorajasse bancos a fazer novos empréstimos.

O governo Bush tentou aparentemente acalmar os opositores dentro do próprio Partido Republicano e concordou em incluir - mas apenas como uma opção - a proposta desses congressistas de um plano de cobertura de seguro para títulos lastreados em hipotecas como alternativa à compra dos títulos diretamente das empresas de Wall Street.

Segundo analistas, muitos eleitores americanos não gostam da idéia de ter seu dinheiro usado para salvar o setor financeiro. E muitos congressistas concorrem à reeleição em novembro.

A crise econômica tem avançado além dos Estados Unidos e, em mais um sinal de seu agravamento, o governo britânico anunciou neste sábado a nacionalização do banco Bradford and Bingley, segundo informações obtidas pela BBC.

Esta é a segunda vez que o governo britânico assume o controle de um banco privado. O primeiro foi o Northern Rock, em fevereiro.

Nos últimos dias, bancos centrais de diversos países injetaram dinheiro no sistema financeiro, em intervenções coordenadas que tiveram o apoio do Fed.

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