Congresso dos EUA diz estar perto de acordo sobre plano econômico

Líderes no Congresso americano anunciaram na noite de sábado estarem perto de um acordo para a aprovação do plano de resgate econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo George W. Bush.

BBC Brasil |

Em uma coletiva de imprensa, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, disse que um "grande avanço" foi alcançado nas negociações, mas que os detalhes ainda devem ser postos no papel.

Com expressão de alívio, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, que está participando das discussões dos parlamentares neste fim de semana, disse que "estamos chegando lá".

"Nós fizemos um grande progresso para chegar a um acordo, que funcionará e será eficiente para os mercados e para os americanos".

Líderes dos partidos Democrata e Republicano esperam fechar um acordo sobre o pacote de resgate à economia de antes da abertura dos mercados na segunda-feira.

O Congresso deveria entrar em recesso na sexta-feira, mas teve de realizar uma rara sessão no fim de semana devido à necessidade de um acordo sobre o plano.

Os negociadores dos dois partidos querem ter o esboço de um acordo para tranqüilizar os mercados antes da abertura na segunda-feira.

O senador republicano Mitch McConnell disse que o objetivo era anunciar um acordo neste domingo, para que fosse votado na segunda-feira.

Concessões

O correspondente da BBC em Washington Justin Webb, acredita que entre as concessões feitas por republicanos e democratas para a obtenção do consenso estaria uma medida para limitar os salários dos executivos de empresas financeiras com problema - considerada uma exigência chave para os democratas.

Nas negociações, os democratas buscam garantias sobre como o dinheiro público será gasto.

Alguns republicanos querem que dinheiro privado seja usado no lugar de recursos públicos para salvar empresas privadas.

"Nós não devemos resgatar Wall Street às custas dos contribuintes americanos", disse o republicano John Boehner, líder da minoria na Câmara.

Nas discussões do sábado, Nancy Pelosi ainda disse que seu partido não insistiria mais na proposta de alterar as leis de falência para permitir a juízes que suspendam a tomada de posse de casas com pagamentos hipotecários atrasados.

Republicanos temiam que a medida desencorajasse bancos a fazer novos empréstimos.

O governo Bush tentou aparentemente acalmar os opositores dentro do próprio Partido Republicano e concordou em incluir - mas apenas como uma opção - a proposta desses congressistas de um plano de cobertura de seguro para títulos lastreados em hipotecas como alternativa à compra dos títulos diretamente das empresas de Wall Street.

Fardo

O presidente George W. Bush usou seu programa de rádio semanal no sábado para tentar tranqüilizar os americanos que estão preocupados sobre o fardo imposto aos contribuintes pelo pacote.

Bush disse que o plano acabaria custando menos que os US$ 700 billhões previstos.

O plano tem como objetivo principal retirar do mercado os "créditos podres" ligados à crise de hipotecas que estão em poder do mercado financeiro nos Estados Unidos.

O governo propôs comprar esses papéis para retirá-los da mão das empresas, fazendo com que sua situação financeira melhore, diminuindo o risco de falência e, em tese, aumentando o volume de dinheiro e crédito à disposição do mercado em geral.

Depois do anúncio inicial sobre o pacote, Ben Bernanke, o presidente do Fed, o banco central americano, esclareceu que a intenção era comprar os títulos de má qualidade pelo seu "valor de maturação" e não pelo seu valor de mercado. Ou seja, por um valor bem maior do que eles possuem atualmente.

Segundo Bush, o valor desses títulos vai aumentar novamente, permitindo que o governo recupere grande parte ou até mesmo todo o investimento.

Banco britânico

Segundo analistas, muitos eleitores americanos não gostam da idéia de ter seu dinheiro usado para salvar o setor financeiro. E muitos congressistas concorrem à reeleição em novembro.

A crise econômica tem avançado além dos Estados Unidos e, em mais um sinal de seu agravamento, o governo britânico anunciou neste sábado a nacionalização do banco Bradford and Bingley, segundo informações obtidas pela BBC.

Esta é a segunda vez que o governo britânico assume o controle de um banco privado. O primeiro foi o Northern Rock, em fevereiro.

Nos últimos dias, bancos centrais de diversos países injetaram dinheiro no sistema financeiro, em intervenções coordenadas que tiveram o apoio do Fed.

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