María Peña. Washington, 6 jan (EFE).- O Congresso dos Estados Unidos, sob domínio democrata, iniciou hoje suas sessões mergulhado em uma crise econômica sem precedentes e na incógnita de quem serão os escolhidos para ocupar as cadeiras de Barack Obama e Hillary Clinton.

O período de sessões do Congresso começou sob uma intensa chuva em Washington e com uma cena insólita do lado de fora do Capitólio, quando o Senado negou a entrada de Roland Burris, escolhido pelo governador de Illinois, Rod Blagojevich, para substituir Obama.

Como resultado das eleições de 4 de novembro, os democratas, pela primeira vez em 16 anos, controlam o Congresso, com pelo menos sete cadeiras a mais no Senado e 21 na Câmara Baixa, e têm um líder na Casa Branca.

Isso, na teoria, facilitará a aprovação das prioridades legislativas de Obama, entre estas um plano de estímulo econômico que poderia alcançar US$ 1 trilhão, as reformas energética e do sistema de saúde, e uma estratégia de saída para as tropas no Iraque.

Como presidente do Senado, o vice-presidente Dick Cheney foi o encarregado de abrir a sessão, na qual 32 senadores prestaram juramento, após vencerem no pleito de 4 de novembro.

Enquanto isso, na Câmara de Representantes, sua administradora, Lorena Milhe, formalizou a abertura da sessão, que ganhou um tom de reunião familiar com a presença de filhos, netos e demais parentes dos congressistas.

Nancy Pelosi foi confirmada como presidente e John Boehner, como líder da minoria republicana na Câmara Baixa.

Entre os senadores que juraram o cargo estava Joe Biden, que representou Delaware durante mais de três décadas, mas que será substituído por Ted Kaufman quando fizer o juramento como vice-presidente do Governo, em 20 de janeiro, durante a posse de Obama.

Esteve presente também o senador democrata Ted Kennedy, fragilizado por problemas de saúde após ser operado de um tumor no cérebro, em junho.

A representante Hilda Solís e o senador Ken Salazar também serão substituídos assim que forem confirmados como secretários de Trabalho e do Interior, respectivamente.

O drama político que roubou a cena foi, sem dúvida, a chegada de Burris ao Capitólio, decidido a ocupar a cadeira que Obama deixou vaga ao ser eleito presidente.

Tanto democratas quanto republicanos rejeitaram Burris, um ex-procurador-geral de Illinois que não foi envolvido pelo escândalo político originado pela suposta tentativa de Blagojevich de "vender" o assento, mas cujo único pecado foi ser nomeado por esse.

No terceiro comparecimento público desde segunda-feira, Burris, de 71 anos, disse que o Senado rejeitou suas credenciais porque "não estavam em ordem", mas afirmou que estudará, com seu advogado, suas opções, incluindo uma possível ação legal.

Burris, que seria o único negro na Câmara Alta, se reunirá amanhã com o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, para negociar uma solução.

O mais provável, segundo especialistas, é que sua nomeação seja remetida ao Comitê de Regras por tempo indeterminado ou até que se decida o futuro de Blagojevich, que enfrenta um possível julgamento político para retirá-lo do cargo.

Cercado por fotógrafos e jornalistas, a chegada e saída de Burris do Capitólio deram seqüência ao drama que, cortesia do governador de Illinois, bateu às portas do Congresso.

Blagojevich é acusado de corrupção pela suposta tentativa de "vender" à melhor oferta o assento de Illinois, e nomeou Burris com pleno conhecimento de que seria rejeitado.

Enquanto isso, as cadeiras de Minnesota e de Nova York seguem sem ser definidas.

No caso de Minnesota, a Junta Eleitoral estadual certificou a vitória do democrata Al Franken frente ao senador republicano Norm Coleman por uma margem de 225 votos.

Porém, Franken também não pôde tomar posse da cadeira porque Coleman, valendo-se de uma lei estadual, disse que impugnará a certificação do democrata.

O governador de Nova York, David Paterson, rejeitou as pressões para nomear o sucessor de Hillary Clinton, que aguarda confirmação no Senado como secretária de Estado.

Sua recusa a fazer a nomeação só aumenta a agonia nos círculos políticos em Nova York, que especulam sobre se a cadeira irá para Caroline Kennedy, filha do presidente John Kennedy. EFE mp/db

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