Congressistas dos EUA alcançam consenso sobre pacote

Líderes dos partidos democrata e republicano avançaram nesta quinta-feira nas negociações sobre o pacote de US$ 700 bilhões para ajudar o setor financeiro do país e já concordam com as bases da proposta. Acançamos um consenso fundamental sobre um conjunto de princípios, afirmou o senador democrata Christopher Dodd, presidente do Comitê de Bancos do Senado americano, após quase três horas de negociações.

BBC Brasil |

"Nós agora esperamos ter um plano que possamos aprovar na Câmara, aprovar no Senado e em que possamos ter a assinatura do presidente", disse outro senador, o republicano Robert Bennett.

Não foram divulgados mais detalhes do plano discutido pelos parlamentares, mas Dodd disse acreditar que o Congresso poderia aprová-lo "nos próximos dias".

O pacote e a crise econômica americana devem ser os temas principais do encontro desta quinta-feira em Washington entre os candidatos republicano, John McCain, e democrata, Barack Obama, à Presidência dos Estados Unidos, com a presença do atual presidente, George W. Bush.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que não é possível prever se um acordo será alcançado antes ou durante a reunião.

"Vamos ver, mas achamos que a participação dos dois candidatos pode nos ajudar a resolver esta situação", afirmou a porta-voz.

Mudanças
Segundo o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, a Casa Branca cedeu em dois pontos de sua proposta original, ajudando a tornar mais provável a aprovação do acordo.

Em primeiro lugar, o governo aceitou tentar limitar os bônus dos executivos cujas companhias se beneficiariam com a ajuda. Em segundo, aceitou que a implementação do plano passe a ser supervisionada de forma independente.

Mas há pelo menos um ponto importante indefinido, segundo o correspondente da BBC. Barack Obama defende que as pessoas que contraíram dívidas hipotecárias e agora correm o risco de perder seus imóveis recebam ajuda do governo.

Justin Webb diz que o candidato democrata avalia que esse tópico está agora na mesa de negociação. "Líderes do Congresso já fizeram grande progresso em suas negociações", afirmou Obama. "Eles parecem próximos de um acordo."
Outro tema que permanece em aberto é se Obama e McCain vão ou não realizar o primeiro debate entre eles, marcado para a noite de sexta-feira em Oxford, no Mississippi.

McCain diz que suspendeu sua campanha e sugeriu na quarta-feira que o debate seja adiado por causa das negociações sobre o pacote e a crise econômica, mas Obama quer que o debate seja realizado.

A comissão responsável pelo embate disse que, até o momento, a previsão é de que o evento ocorra conforme o planejado.

Pronunciamento
Bush fez na noite de quarta-feira o primeiro pronunciamento à nação desde o agravamento da atual crise econômica, há pouco mais de uma semana.

No discurso, o presidente pediu que os americanos apóiem o pacote de US$ 700 bilhões anunciado na última sexta-feira pelo governo.

Bush reiterou que o pacote não servirá para "salvar companhias individuais, mas para proteger toda a economia dos Estados Unidos".

O presidente americano afirmou que normalmente não concordaria com uma intervenção do Estado na economia, mas que desta vez o país "não está em circunstâncias normais" e o mercado "não está funcionando adequadamente".

"Não temos outra opção a não ser intervir (no mercado)", afirmou.

De acordo com Bush, se o pacote do governo não for aprovado, "mais bancos podem quebrar, bolsas irão cair ainda mais, faltará crédito para consumidores e muitos americanos poderão perder seus empregos".

"O país pode cair em uma grande recessão", disse o presidente, durante o pronunciamento na Casa Branca. "O custo para os americanos será muito maior."
Críticas
O plano de salvamento para a economia americana tem sido alvo de críticas e dúvidas.

Um temor de muitos analistas é que o Tesouro americano concentre muito poder para gastar os US$ 700 bilhões.

Outro ponto em discussão é sobre como usar os recursos. O plano do governo americano prevê a compra de títulos podres (com risco alto de não serem honrados) dos bancos para, segundo o secretário do Tesouro, Henry Paulson, "desintoxicar" seus balanços, evitar que quebrem e permitir que voltem a emprestar para o mercado em geral.

De acordo com o Fed (o banco central americano), a intenção é que esses títulos de má qualidade sejam comprados pelo seu "valor de maturação", e não pelo seu valor de mercado.

Isso significa, segundo especialistas, que os bancos que venderem seus títulos ao Tesouro vão ter um grande lucro com os papéis e não terão que dar nada em troca pela ajuda.

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