Congressista republicano critica intromissão do papa no debate migratório

Washington, 17 abr (EFE) - O congressista republicano Tom Tancredo, conhecido por sua posição conservadora em relação à imigração ilegal nos Estados Unidos, criticou hoje a intromissão do papa Bento XVI na política migratória do país. Não estou criticando a autoridade moral do papa e respeito seus pontos de vista sobre as ameaças da imigração islâmica. No entanto, não é parte de seu trabalho se envolver na política americana, disse Tancredo em comunicado.

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Durante seus três dias de viagem por Washington, o pontífice dedicou uma atenção especial ao tema migratório nos EUA e hoje, durante uma missa no estádio do Washington Nationals para 46 mil fiéis, destacou as contribuições dos imigrantes latino-americanos ao crescimento da Igreja Católica neste país.

Em comunicado conjunto do Vaticano e a Casa Branca, tanto o presidente americano, George W. Bush, como o papa abordaram a necessidade de uma "política coordenada" a respeito da imigração, em particular "o tratamento humanitário aos imigrantes e o bem-estar de suas famílias".

Mas Tancredo criticou o apelo feito pelo pontífice à questão do tratamento digno aos imigrantes, ao afirmar em comunicado que a política migratória dos EUA, longe de ser "violenta", é "pouco rígida".

"Não vejo de que forma pode ser violento ou degradante aceitar mais refugiados que qualquer outra nação, e dar-lhes cuidado de saúde gratuito, educação, habitação e benefícios de serviço social a milhões de imigrantes ilegais", sustentou Tancredo, um descendente de italianos.

Segundo dados oficiais, mais de 30 milhões, 45% dos 67,5 milhões de católicos nos Estados Unidos, são de origem hispânica, a maioria deles imigrantes que, ao manter sua fé, ajudam a combater a redução no número de não hispânicos que se identificam com esta confissão.

Perante estes dados, não é de se estranhar que o papa se interesse por esta comunidade e pelos problemas que a afetam, em particular a questão da imigração.

Tancredo aproveitou estes dados para indicar que "os comentários sobre imigração têm pouco a ver com a propagação do evangelho e são bem mais voltados a recrutar novos membros da Igreja".

"Isto não é pregar, é um marketing a partir da fé", ressaltou o congressista. EFE mp/db

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