Congo e Angola fecham acordo para encerrar expulsões

Angola e a República Democrática do Congo chegaram nesta terça-feira a um acordo para encerrar deportações e expulsões de ambos os países que deixaram milhares de pessoas sem casa. A República Democrática do Congo expulsou mais de 20 mil angolanos de seu território recentemente.

BBC Brasil |

Muitos deles já viviam há anos no Congo depois de fugirem da guerra civil em Angola.

A expulsão dos angolanos teria ocorrido em retaliação às frequentes deportações de milhares de congoleses de Angola, que trabalhariam de forma ilegal nas minas de diamante.

Os dois países dividem uma longa fronteira que corta regiões ricas no minério.

De acordo com o repórter da BBC Thomas Fessy, o ministro da Informação congolês, Lambert Mende, disse que Congo e Angola "concordaram em suspender as expulsões dos dois lados da fronteira", mas não deu mais detalhes.

O anúncio foi feito depois de Angola ter enviado uma delegação à capital congolesa, Kinshasa, para tentar resolver o problema.

Mobilização
Igrejas e outras organizações de auxílio foram mobilizadas para tentar lidar com o fluxo de pessoas vindas do Congo para Angola, principalmente na província do Zaire (noroeste do país).

Um dos angolanos expulsos da República Democrática do Congo disse à BBC que ele estava vivendo legalmente entre os congoleses.

"O governo congolês está expulsando todos os angolanos, independentemente de estarem legais ou ilegais", afirmou.

O chefe da organização de caridade Save the Children em Angola, Doug Steinberg, disse à BBC que a organização visitou a cidade de Luvo, perto da fronteira, onde 16 mil angolanos expulsos se reuniram.

"Há muitas crianças, e as condições são ruins. Não há acomodação, não há comida e a estação das chuvas está começando agora. Eles estão em escolas", afirmou.

Thomas Fessy disse que as agências de ajuda também temem pela situação dos pelo menos 17 mil congoleses que foram deportados de volta à República Democrática do Congo. E também há informações de saques e estupros dadas por congoleses que foram levados de volta para a fronteira.

Francisco Comba, autoridade do governo local em Angola, disse à agência de notícias angolana Angop que as autoridades locais iniciaram o fornecimento de alimentos, barracas, roupas e utensílios de cozinha para os deportados.

Comba acrescentou que o governo está trabalhando para enviar estas pessoas para seus distritos natais.

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