Confusão em evento com Papa deixa dois mortos e 18 feridos em Angola

Dois jovens morreram esmagados, e outras 18 pessoas ficaram feridas, neste sábado, em Luanda, na confusão que se formou na entrada do estádio dos Coqueiros, onde uma multidão se aglomerava para ver o Papa Bento 16, informou a agência de notícias Lusa, citando fontes médicas.

AFP |

Os dois jovens, um rapaz e uma mulher, chegaram mortos ao Hospital Josina Machel, vítimas de esmagamento, declarou à Lusa uma fonte do centro hospitalar, para onde oito feridos foram levados. Outras dez pessoas foram atendidas no próprio estádio.

Reuters
Jovens se concentram para ver Bento16 em Luanda
Segundo o subcomandante-geral da Polícia Nacional Paulo de Almeida, o incidente aconteceu por volta das 12h, quando foram abertos os portões do estádio. Milhares de pessoas já esperavam, ansiosas, para entrar.

A Direção Nacional de Investigação Criminal está tentando esclarecer as circunstâncias da morte de ambos os jovens, acrescentou a agência Lusa.

Casamento e bruxaria

Sob forte sol, o papa Bento XVI se reuniu-se com dezenas de milhares de jovens, e disse que "o futuro é Deus", os encorajou a "não temer" o casamento ou o sacerdócio e denunciou a cultura hedonista e individualista que impera na sociedade atual.

Antes do encontro, em uma missa para milhares de pessoas, pediu aos católicos que combatam a bruxaria na África, oferecendo o Evangelho "a essas pessoas desorientadas, que vivem no terror" e que chegam a sacrificar crianças de rua por considerá-los bruxos.

O encontro com os jovens aconteceu no segundo dia do papa em Luanda, onde desde ontem milhares de pessoas percorreram o centro da cidade cantando, dançando e rezando, à espera do momento de ficar frente a frente com o pontífice, de 81 anos.

Com um semblante de muita calma, apesar de aparentar cansaço em alguns momentos devido ao forte calor em Luanda, o papa pediu que os jovens tomem decisões "definitivas" como o casamento ou o sacerdócio.

Também participaram do encontro milhares de jovens mutilados pela guerra civil que durante 27 anos castigou Angola, e pelas minas colocadas durante o conflito que devastou o país.

O papa ficou comovido quando cumprimentou vários desses jovens em cadeira de rodas, e disse que pensava nas incontáveis lágrimas que muitos deles verteram pela perda de familiares.

"Não é difícil imaginar as nuvens cinzentas que ainda cobrem o céu de seus melhores sonhos", afirmou o papa às vítimas do conflito.

Bento XVI também disse aos jovens que é preciso ter fé em Deus e que é necessário se renovar "a partir de dentro".

"Não tenham medo de tomar decisões definitivas. Generosidade não lhes falta, mas diante do risco de se comprometer para toda a vida, seja no casamento ou na vida consagrada, sentem medo", assinalou o papa, que reconheceu que as dúvidas dos jovens são muitas.

O pontífice ressaltou que a atual cultura individualista e hedonista não ajuda os jovens, mas acrescentou que o jovem "não deve decidir correr o risco de ser uma eterna criança".

"Eu lhes encorajo, ousem e tomem decisões definitivas, porque na realidade são as que não destroem a liberdade e definem o caminho correto para chegar a qualquer coisa na vida. Não há dúvidas de que a vida só tem valor com a coragem da aventura, e o Senhor não lhes deixará sozinhos jamais", assegurou.

Se ontem falou de política e economia em um país no qual 70% da população vive na miséria, hoje se referiu a outros assuntos que preocupam a Igreja, como a superstição e o medo dos maus espíritos existentes em diversas regiões da África.

No continente, muitas crianças de rua são mortas por serem consideradas bruxas e idosos são abandonados na floresta, por serem considerados um sinal de azar.

Fontes da Igreja angolana disseram hoje que a mentalidade fetichista é muito "forte" em algumas regiões e cria graves problemas nas famílias.

Atribuiu o fato à ignorância, e disse que impede o avanço da sociedade e não fortalece a integração.

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