Confrontos pós-eleitorais matam dezenas na Costa do Marfim

Segundo a ONU, 50 morreram e 200 ficaram feridos nos três últimos dias; presidente em exercício não reconhece vitória de rival

iG São Paulo |

Reuters
Soldados rebeldes do líder da oposição da Costa do Margim, Alassane Ouattara, ajudam companheiro ferido durante confrontos com forças do governo (17/12/2010)
Mais de 50 pessoas morreram na violência pós-eleitoral na Costa do Marfim em meio ao aumento do número de relato de sequestros, informou a ONU. A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que as mortes ocorreram nos últimos três dias. Mas de 200 também ficaram feridos.

O presidente em exercício Laurent Gbagbo diz ter vencido as eleições de 28 de novembro, mas a ONU e as grandes potências reconhecem a vitória do rival de Gbagbo, Alassane Ouattara. No sábado, Gbagbo exigiu a saída de todas as tropas de paz, com as autoridades alegando que a ONU e os soldados franceses estavam se unindo aos ex-rebeldes.

Neste domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, rejeitou o pedido. Em um comunicado divulgado após a exigência, Ban disse que a missão da ONU "cumprirá o seu mandato e continuará a monitorar e documentar quaisquer violações de direitos humanos, incitação ao ódio e violência, ou ataques à missão de paz" da organização.

A tensão vem aumentando entre o governo de Gbagbo e a ONU e as tropas estrangeiras que a apoiam, porque a organização reconheceu a vitória de Ouattara. Apenas algumas horas antes do comunicado da ONU, seis homens armados abriram fogo contra a base da organização no país. Ninguém ficou ferido.

Funcionários que desempenham funções não-essenciais da ONU já deixaram a Costa do Marfim.
Ouattara se encontra sob proteção da ONU em um hotel na principal cidade do país, Abidjan.

Tensão

No sábado, Gbagbo exigiu a retirada imediata de todos os soldados de paz estrangeiros do país.
A porta-voz do presidente, Jacqueline Oble, leu na TV estatal um comunicado no qual Gbagbo exige a "saída imediata da Onuci (missão da ONU no país) e das tropas francesas que a apoiam".

Oble acusou as tropas da ONU e da França de conspirar com rebeldes e disse que as forças de paz "interferiram seriamente nos assuntos internos da Costa do Marfim".

Um acordo de paz assinado por todas as partes deu à ONU o papel de certificar o resultado do pleito.
No entanto, Gbagbo se recusa a deixar o cargo. Ele diz que as eleições foram fraudadas pelos rebeldes que ainda dominam o norte do país após a guerra civil de 2002.

Além da ONU, os Estados Unidos, a França e a União Africana pediram a Gbagbo que abdique do poder. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse na sexta-feira que Gbagbo deveria sair até este domingo ou enfrentar sanções da União Europeia.

Partidários da oposição dizem que voltarão às ruas da cidade após conflitos armados que deixaram 20 mortos na quinta-feira.

*Com BBC

    Leia tudo sobre: Costa do Marfimeleiçõesonufrançanicolas sarkozy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG