Confrontos pós-eleitorais deixam 173 mortos na Costa do Marfim

Número é divulgado por ONU em meio à pressão para presidente em exercício reconhecer vitória de rival em eleições de novembro

iG São Paulo |

A violência pós-eleitoral na Costa do Marfim deixou um total de 173 mortos e 471 detidos entre 16 e 21 de dezembro, anunciou nesta quinta-feira a comissária adjunta para os direitos humanos da ONU, Kyung-Wha Kang, que se declarou alarmada com a violência provocada pela eleição presidencial. A informação foi divulgada enquanto aumenta a pressão internacional para que Laurent Gbagbo desista da presidência.

"Entre 16 e 21 de dezembro, os responsáveis pelos direitos humanos receberam informações sobre 173 mortos, 90 casos de tortura, 471 detenções, 24 desaparecimentos forçados ou involuntários", afirmou Kyung-Wha Kang ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em uma reunião especial dedicada à Costa do Marfim.

"Essa situação está caracterizada por um uso excessivo da força pelos partidários de Gbagbo", completou, referindo ao presidente em exercício. No poder há dez anos, Gbagbo se nega a deixar a presidência após as eleições de 28 de novembro, o que levou o país a uma grave crise política.

A Alta Representante da União Europeia, Catherine Ashton, exigiu que Gbagbo, transfira o poder ao novo líder eleito, Alassane Ouattara, "sem atrasos nem condições prévias". Após as eleições, a comunidade internacional reconheceu Ouattara como presidente eleito. Segundo a Comissão Eleitoral, ele recebeu 54,10% dos votos.

"O único diálogo possível é um que permita o respeito aos resultados eleitorais e a transferência efetiva de poderes", afirmou Ashton em comunicado divulgado na noite de quarta-feira. A chefe da diplomacia europeia ressaltou, além disso, que a vitória de Ouattara não pode ser submetida à avaliação nem questionada, pedindo para que seja dado um fim ao bloqueio do Hotel Golfe de Abidjan, onde Ouattara e seu governo estabeleceram sua sede de maneira temporária.

A UE solicitou também o fim imediato da violência, ressaltou a necessidade de que a população civil tenha sua segurança garantida, e exigiu que os delitos cometidos nos últimos dias não fiquem impunes.

Nesta quinta-feira o primeiro-ministro de Ouattara, Guillaume Soro, pediu à comunidade internacional que envie a Abidjan uma missão da Corte Penal Internacional (CPI). "Esperamos que a CPI possa enviar uma missão à Costa do Marfim para determinar a responsabilidade dos envolvidos para que sejam levados a Haia", sede do tribunal internacional, afirmou Soro em entrevista publicada pelo jornal francês Liberation.

"Esperamos energicamente que a comunidade internacional não demore muito para se dar conta de que o lugar de Gbagbo não é o palácio presidencial, e sim a Corte Penal Internacional de Haia", disse Soro que, na quarta-feira, pediu à comunidade internacional que recorra à força para depor Gbagbo.

Em resposta ao pedido de Soro, o governo da França indicou nesta quinta-feira que prefere não se envolver numa eventual operação militar na Costa do Marfim, antiga colônia francesa. "A França não pode de maneira alguma recomendar o recurso à violência", disse o ministro de Cooperação francês, Henri de Raincourt, em entrevista à rádio "RFI".

Para Raincourt, tentar resolver a crise na Costa do Marfim por meio da força "é uma responsabilidade que corresponde aos chefes de Estado africanos", que se reúnem na sexta-feira na Nigéria, em uma cúpula da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao).

*Com EFE e AFP

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