Confrontos no Cairo após atentado anticristão deixam 45 policiais feridos

Manifestantes protestaram contra presença de autoridades em catedral um dia após ataque que matou 21 e deixou 79 feridos

AFP |

Confrontos entre cristãos coptas e forças de segurança deixaram 45 policiais feridos no Cairo no domingo, dia seguinte ao atentado contra uma igreja em Alexandria, a segunda maior cidade do Egito, que deixou 21 mortos e 79 feridos e foi atribuído pelo governo ao terrorismo internacional ligado à rede Al-Qaeda.

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Cristãos egípcios carregam manifestantes em posição que representa a crucificação de Cristo durante protesto em 02/01/2011 em Alexandria
Os confrontos aconteceram à margem de uma manifestação de centenas de pessoas que se reuniram na Catedral de São Marcos, sede do patriarca copta ortodoxo Chenuda 3º.

Os manifestantes não aceitavam a presença de representantes oficiais que chegaram para apresentar suas condolências depois do atentado contra a igreja dos Santos na noite de ano-novo. Eles jogaram pedras contra o secretário de Estado para o Desenvolvimento Econômico, Osman Mohamed Osman, depois que ele se reuniu com Chenuda 3º no momento em que ocorriam confrontos entre manifestantes e policiais na área externa do recinto.

Segundo a polícia, outros 1 mil coptas também se manifestaram diante do Ministério das Relações Exteriores e na Província de Assyut, no sul do país. De acordo com uma testemunha, os coptas agrediram um muçulmano e destruíram três carros no povoado de Al Izziya.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, denunciou no sábado o envolvimento de "mãos estrangeiras" na matança. A hipótese de um carro-bomba, levantada a princípio pelas autoridades, foi descartada pelo Ministério do Interior, que revelou que o massacre foi "provavelmente" praticado por um homem-bomba, que teria detonado explosivos de fabricação caseira seguindo ordens "de elementos externos".

O atentado, cuja autoria não foi reivindicada, ocorreu dois meses depois de um grupo próximo ao braço iraquiano da Al-Qaeda - que teria sido responsável pelo ataque contra uma catedral em Bagdá em 31 de outubro - ameaçou os coptas egípcios caso sua igreja não libertasse duas cristãs que, segundo o grupo, estão "presas em conventos" por terem se convertido ao Islã.

Os coptas, a maior comunidade cristã do Oriente Médio, representam de 6% a 10% da população do Egito, de um total de 80 milhões de habitantes, a maioria de muçulmanos sunitas.

O patriarca da Igreja copta, Chenuda 3º, pediu que os autores do ataque sejam rapidamente detidos e julgados, qualificando o atentado de ato "terrorista" e "covarde" que busca "desestabilizar o país".

As principais autoridades religiosas muçulmanas do Egito, bem como o movimento islamita de oposição da Irmandade Muçulmana, também condenaram com firmeza o massacre. O atentado foi igualmente condenado pela comunidade internacional.

Depois do papa Bento 16, o Conselho das Igrejas, com sede em Genebra, condenou o "terrível ataque contra fiéis inocentes". O presidente americano, Barack Obama, destacou que os autores da explosão não tinham "nenhum respeito pela vida e a dignidade humanas", declaração com a qual Washington se somou às firmes condenações ao atentado feitas por Paris, Londres, Roma e várias capitais do Oriente Médio.

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