Confrontos entre palestinos e polícia de Israel deixam mais de 100 feridos

Pelo menos 91 palestinos ficaram feridos nesta terça-feira, segundo a organização Crescente Vermelha, em confrontos em Jerusalém Oriental, durante protestos contra a construção de novos assentamentos judaicos na região e a reabertura de uma sinagoga. De acordo com a polícia de Israel, 14 oficiais também ficaram feridos.

iG São Paulo |

AFP
Palestino faz sinal de vitória durante protesto

Palestino faz sinal de vitória durante protesto

Os choques ocorrem em vários pontos de Jerusalém Oriental, entre eles o campo de refugiados de Shu'fat, e os arredores da mesquita de al-Aqsa. O governo israelense mobilizou três mil agentes para reforçar a segurança na parte predominantemente árabe da cidade, onde os palestinos querem fundar a capital de seu Estado independente.

Os confrontos acontecem desde as primeiras horas desta terça-feira, declarada pelo grupo islamita Hamas como " Dia da Ira ", em protesto contra as "provocações" de Israel.

Na semana passada, durante a visita do vice-presidente americano Joe Biden, o governo israelense anunciou a construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental.

Além dos assentamentos, a reabertura da sinagoga Hurva, que já foi destruída duas vezes e fica perto da mesquita de al-Aqsa - o terceiro lugar mais sagrado para o Islã - também inflamou a tensão.

AFP
Palestinos jogam pedras em policiais israelenses

Palestinos jogam pedras em policiais israelenses

Os distúrbios ocorrem em diferentes pontos da cidade. Palestinos atiram pedras, enquanto a polícia israelense usa gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar a multidão.

Crise com EUA

A visita de Biden ao Oriente Médio tinha o objetivo de reiniciar as negociações de paz entre israelenses e palestinos, mas o anúncio sobre os novos assentamentos impediu qualquer progresso nas conversas e ainda provocou a pior crise diplomática entre os Estados Unidos e Israel nos últimos 35 anos.

O governo americano adiou o encontro de seu enviado especial para a região, George Mitchell , com o presidente de Israel, Shimon Peres, nesta terça-feira, à espera das respostas para uma série de demandas feitas na sexta-feira passada, entre elas o fim das construções.

AP
Policial israelense lança gás em palestinos

Policial israelense lança gás em palestinos

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - que disse que Israel tem todo o direito de construir as novas casas - está num impasse: se ceder à pressão americana e suspender a construção dos novos assentamentos, corre o risco de provocar instabilidades em seu gabinete; se não ceder, fica difícil imaginar como as negociações de paz poderão ser retomadas.

Lula no Oriente Médio

Em meio ao clima de tensão, nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o Museu do Holocausto , em Jerusalém, em seu último dia em Israel durante a viagem ao Oriente Médio.

Para Lula, a visita ao local é "quase obrigatória". "Eu acredito que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória a todo ser humano que quer governar uma nação", disse o presidente na saída do local. "A humanidade deve repetir todos os dias, quantas vezes for necessário, 'nunca mais', 'nunca mais', 'nunca mais'", enfatizou Lula.

Depois da visita ao museu, o presidente brasileiro participou de um plantio de uma árvore no Bosque de Jerusalém. O próximo passo de sua agenda é um encontro com representantes das sociedades civis israelense e palestina.

Com BBC e EFE

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