Quatro palestinos foram mortos e cerca de 60 ficaram feridos neste sábado na cidade de Gaza em novos confrontos entre as forças do Hamas e militantes do Fatah, informaram fontes médicas.

Os enfrentamentos começaram pela manhã, quando as forças do Hamas tentaram prender no bairro de Chujaiya membros do clã familiar Helis acusados de terem cometido um atentado com bomba em 25 de julho.

Naquele dia, uma explosão matou cinco membros das Brigadas Ezzedin al-Qassam, o braço armado do Hamas, e uma menina de cinco anos perto de uma praia da cidade de Gaza.

A tensão aumentou novamente neste sábado, quando o Hamas acusou o Fatah do presidente Mahmud Abbas de ter seqüestrado Mohammad Ghazal, um de seus dirigentes políticos em Nablus, na Cisjordânia. Ghazal foi libertado pouco tempo depois, declarou sua família.

Questionado pela AFP, o porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, acusou formalmente vários membros eminentes da família Helis de serem "responsáveis pelo atentado com bomba de 25 de julho".

"Já houve várias detenções, e ainda haverá várias outras. Pedimos à polícia que seja firme", avisou.

Zuhri também acusou a família Helis e outros clãs que não nomeou de "se esconder num complexo de casas em Chujaiya e disparar obuses de morteiro contra a polícia do Hamas". "Eles também dispararam um foguete contra o centro da cidade de Gaza, que milagrosamente não deixou feridos", denunciou.

Contactado pela AFP, Adel Helis, um importante dirigente do Fatah, desmentiu as alegações do Hamas.

"Não disparamos foguete, nem obuses de morteiro. Já o Hamas comete crimes", afirmou.

Ahmed Helis, outro importante dirigente do Fatah em Gaza, acrescentou que "as forças do Hamas sitiaram nossa casa e começaram a bombardeá-la com obuses de morteiro".

Mahmud Abbas expressou seu apoio a Ahmed Helis e "denunciou o ataque do Hamas", segundo um comunicado emitido pelo escritório do presidente da Autoridade Palestina.

Desde o atentado de 25 de julho, o Hamas prendeu mais de 300 pessoas, a maioria membros do Fatah, na Faixa de Gaza.

Um dos chefes do Fatah, Ibrahim Abul Naja, estava entre os detidos, mas foi libertado neste sábado pelo Hamas, segundo seu filho Wahel. "Ele voltou para casa esgotado, mas estava bem", declarou à AFP.

Um dirigente do Hamas em Gaza também anunciou a libertação iminente de outros 10 membros do Fatah.

O Fatah negou qualquer envolvimento na explosão de 25 de julho, culpando uma dissidência do Hamas pelo atentado. O movimento de Abbas lançou em seguida uma onda de detenções de membros do Hamas na Cisjordânia.

O Hamas destacou em comunicado que um de seus policiais e um membro das Brigadas Ezzedin al-Qassam estão entre as vítimas dos confrontos deste sábado.

Um responsável pelos serviços de emergência da Faixa de Gaza informou que outros dois palestinos foram mortos. Ele também mencionou mais de 60 feridos, sete deles graves.

Islam Shahwan, porta-voz das forças do Hamas, frisou que a operação terminou na tarde deste sábado. "A operação foi encerrada, mas a polícia ainda está revistando casas no bairro de Chujaiya", declarou o porta-voz.

az/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.