Confrontos deixam quatro mortos na Bolívia

Os confrontos violentos na Bolívia deixaram quatro mortos e pelo menos 20 feridos no Departamento (Estado) de Pando, próximo à localidade de El Porvenir, caminho à fronteira com Peru. O enfretamento ocorreu entre empregados da Prefeitura e camponeses.

BBC Brasil |


De acordo com o vice-ministro do governo local, Rubén Gamarra, entre os mortos estaria um vereador de El Porvenir, o engenheiro Pedro Oshiro, além de um camponês que foi jogado contra um carro.

A nova escalada de violência levou o presidente Evo Morales a declarar, em La Paz que essa situação "tem limites".

"O governo vai defender a democracia, vamos defender o processo de mudanças e a união do país", disse Morales.

Santa Cruz

O clima de tensão levou o comércio a fechar as portas em Santa Cruz de la Sierra, capital do departamento (Estado) de Santa Cruz, o mais próspero do país. Ao mesmo tempo, opositores a Morales continuam ocupando organismos públicos do governo central.

À saída do aeroporto de Viru-viru, em Santa Cruz de la Sierra, os passageiros que desembarcam pegam um táxi que só pode chegar até o posto da alfândega, que está ocupada, e depois são obrigados a caminhar com as malas até outro ponto de táxi.

Os guichês da Alfândega estão controlados pelos opositores a Morales, que retiraram os funcionários do local.

"Tudo que for para arrecadação do governo Morales vai ter nosso impedimento. Enquanto o governo não devolver os recursos a que temos direito, não sairemos daqui", disse à BBCBrasil Carlos Cuella, de 27 anos, empregado da prefeitura local.

Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando - e em menor medida Chuquisaca - são os departamentos onde se concentram os fortes protestos contra medidas de Morales.

Entre as medidas mais polêmicas estão o corte no repasse de verbas do setor petroleiro para as regiões e o texto da nova constituição, que incluiu ítens como reforma agrária. O texto foi aprovado no ano passado, mas ainda depende de referendo para entrar em vigor.

Nos muros de Santa Cruz - departamento rico em soja e petróleo e reduto da oposição- são visíveis as frases contra Morales e seus principais ministros. "Fuera Morales", diz uma delas, entre o aeroporto e o centro da cidade.

"Nós não somos racistas. Os racistas são eles (da região andina, simpática a Morales)", disse o taxista Ocedemar Megar, de 42 anos, pai de quatro filhos.

"Não votei nele, mas até que gostava do que ele dizia sobre a velha política. Mas agora ele quer que a gente pague por diferenças que aconteceram há 200 anos. Eu não era nem nascido", afirmou Megar.

Movimentos sociais estão reunidos no chamado "Plano 3000", na grande Santa Cruz de la Sierra, para definir reação aos protestos contra Morales. O lugar reúne milhares de moradores de diferentes pontos do país e a maioria apóia o governo central.

Gasoduto

Nesta quinta-feira um novo incidente interrompeu totalmente as operações do principal gasoduto que transporta gás da Bolívia para o Brasil.

Na quarta-feira, uma explosão em outro ponto do mesmo gasoduto teria reduzido em 3 milhões de metros cúbidos diários o envio de gás ao Brasil.

Os dutos são "vulneráveis", segundo autoridades bolivianas e brasileiras, já que é "difícil" fazer a segurança de toda a extensão - mais de mil e duzentos quilômetros.

Os manifestantes ainda teriam obrigado técnicos a fechar, nesta quinta-feira, válvulas na usina Transredes, que exporta gás para o norte argentino.

Numa reunião em Cochabamba, a Cúpula da Igreja Católica pediu aos prefeitos (governadores) da Bolívia que evitem a violência e a divisão do país.

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