Governo declara estado de emergência após violência étnica na segunda maior cidade do país, que também deixou mais de 600 feridos

O governo interino do Quirguistão decretou nesta sexta-feira estado de emergência e toque de recolher em Osh, bastião do presidente deposto Kurmambek Bakiyev, onde foram registrados novos confrontos que deixaram pelo menos 45 mortos e mais de 600 feridos.

As autoridades interinas, que tentam sem êxito restaurar a ordem nessa antiga república soviética da Ásia Central desde que chegaram ao poder no início do ano, durante violentos protestos que levaram à derrubada de Bakiyev, insistiram que as forças governamentais controlam uma situação que continua sendo volátil. "Os disparos cessaram em toda a cidade e a situação está sob controle das forças de ordem", declarou o porta-voz do Ministério do Interior, Rajmatilo Ahmedov, à rádio nacional.

Mas as testemunhas contatadas por telefone em Osh, a segunda maior cidade do país, descreveram um cenário caótico, com trocas de tiros até o início da manhã e helicópteros com armamento pesado sobrevoando o centro da cidade. Segundo as testemunhas, os enfrentamentos começaram após uma briga entre jovens quirguizes e usbeques.

A situação deteriorou-se no sul do país há quase dois meses, quando o líder do partido usbeque do Quirguistão, Kadiryan Batirov, foi acusado de ter incendiado a casa da família Bakiyev.

Mapa mostra localização do Quirguistão
Arte/iG
Mapa mostra localização do Quirguistão

Por causa dessa nova onda de violência, que eclodiu na quinta-feira à noite, o governo interino, liderado por Rosa Otunbayeva, decretou nesta sexta-feira estado de emergência e toque de recolher em Osh.

"Um estado de emergência foi declarado em Osh e em outros distritos vizinhos (Karasu, Aravan e Uzgen) de 11 de junho a 20 de junho", declarou o porta-voz do governo Farid Niyazov.

Esses confrontos são registrados duas semanas antes de um referendo sobre a Constituição quirguiz previsto para 27 de junho. Em 19 de maio, o governo interino anulou uma eleição presidencial prevista para o outono (Hemisfério Norte) e passou o cargo de presidente para Otunbayeba até o final de 2011.

Os presidentes de Rússia e China lançaram um apelo à calma da capital do Usbequistão, Taskent, onde participam de uma cúpula regional. "A China e outros vizinhos continuarão oferecendo toda a ajuda possível ao Quirguistão", afirmou o presidente chinês, Hu Jintao. "Esperamos sinceramente que essa fase de instabilidade interna seja superada o mais rápido possível", afirmou seu colega russo, Dmitri Medvedev.

Antiga república soviética considerada estratégica, o Quirguistão acolhe uma base militar russa e uma base aérea americana vital para o abastecimento das tropas internacionais no Afeganistão. Desde a independência do Quirguistão em 1991, após o fim da União Soviética, as tensões entre minorias étnicas marcaram a vida desse país vizinho do Usbequistão, somando-se à dificuldades econômicas persistentes.

Com AFP

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