Confrontos continuam apesar de cessar-fogo no Sri Lanka

Os confrontos continuam neste domingo no Sri Lanka apesar dos relatos de um cessar-fogo declarado pelo grupo Tigres de Libertação da Pátria Tâmil. O governo do Sri Lanka disse que suas tropas estão realizando operações finais depois que um website ligado aos rebeldes declarou que eles estavam abandonando as armas.

BBC Brasil |

Ministros da União Européia deverão pedir nesta segunda-feira uma investigação independente para apurar acusações de que civis foram atacados durante os mais recentes confrontos.

Os dois lados trocam acusações sobre a morte de civis na zona de conflito.

Em Bruxelas, a União Européia preparou o rascunho de uma declaração que será divulgada após o encontro ministerial, e que expressa revolta com os relatos do número de mortes de civis.

A declaração diz que o bloco europeu está chocado com o alto número de vítimas e o uso de armamentos pesados no conflito.

Segundo a correspondente da BBC em Bruxelas, Oana Lungescu, a União Européia quer que o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realize uma sessão especial para discutir a situação no Sti Lanka, como fez no passado para Miamar, Darfur e os territórios palestinos.

Cessar-fogo
A milícia Tigres de Libertação da Pátria Tâmil abandonou neste domingo a luta contra as tropas do governo e "decidiu silenciar suas armas", disse o porta-voz do grupo em um website pró-rebeldes.

"Esta batalha chegou ao seu amargo fim", disse Selvarasa Pathmanathan, o chefe das relações internacionais do grupo, no site Tamilnet.

No sábado, o presidente cingalês Mahinda Rajapaksa havia declarado vitória no conflito de 26 anos.

Um comunicado publicado no site Tamilnet, mais tarde, afirmou que os rebeldes estavam "preparados para silenciar suas armas se isso for o que a comunidade internacional precisa para salvar a vida e dignidade dos tâmeis".

"Nas últimas 24 horas, mais de três mil civis estão mortos nas ruas, enquanto outros 25 mil estão seriamente feridos e não têm acesso à assistência médica."
Civis presos
Em contraste, autoridades militares cingalesas disseram mais cedo que todos os civis que estavam presos na zona de conflito haviam conseguido escapar.

O porta-voz do Exército brigadeiro Udaya Nanayakkara disse que cerca de 50 mil civis tâmeis fugiram da região nos últimos três dias.

Assim como as outras informações vindas da zona de guerra, nenhuma dessas pode ser confirmada por fontes independentes.

Durante meses, dezenas de milhares de civis tâmeis ficaram presos na zona de guerra, vulneráveis aos bombardeios, em meio ao fogo cruzado entre tropas do governo e rebeldes.

A ONU afirma que eles foram forçados pelos rebeldes a permanecer na zona de guerra e que mais de 6 mil civis foram mortos desde janeiro.

Representantes da ONU também disseram à BBC que os números do Exército demonstram que as autoridades cingalesas não estavam preparadas para o grande fluxo dos civis que tiveram que deixar suas casas.

Campos de refugiados internos foram sobrecarregados para acomodar o grande número de civis que fugiram do conflito.

A guerra civil por uma pátria Tâmil já causou a morte de mais de 70 mil pessoas.

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