Dezenas de pessoas ficaram feridas neste sábado na Tailândia, durante enfrentamentos entre moradores e manifestantes que tentavam entrar em um templo perto da fronteira com o Camboja, cuja propriedade é disputada pelos dois países, informaram fontes militares.

Cerca de 3 mil habitantes do povoado de Phum Saron construíram barricadas para impedir que os 5 mil "camisas amarelas" - militantes da Aliança do Povo pela Democracia (PAD, monárquico) - entrassem no templo.

EFE
Manifestantes enfrentam a polícia perto da fronteira com o Camboja


Dezenas de moradores ficaram feridos no conflito provocado por membros do PAD.

"Há mais de 20 pessoas hospitalizadas, mas não sabemos o número exato de feridos, já que muitos foram atendidos no local", disse a um canal de televisão militar o governador da província de Si Sa Ket, Rapee Phongbuphakit.

As autoridades tailandesas também tentavam impedir que os "camisas amarelas" entrassem no monumento, temendo que a invasão provocasse novas tensões com o Camboja. Em abril, tiroteios entre os exércitos dos dois países causaram duas mortes e deixaram dez pessoas feridas.

O coronel Sunsern Kaewkumnerd, porta-voz militar tailandês, indicou que um acordo havia sido negociado com os manifestantes, estabelecendo que 30 deles poderiam ler uma declaração perto do templo no domingo de manhã.

No fim da tarde, os manifestantes se retiraram do local e retornaram para o interior do país.

No Camboja, as autoridades reforçaram as tropas na fronteira tailandesa nesta semana, dando a entender que não tolerariam nenhuma incursão em seu território.

"Observamos a situação de perto", alertou neste sábado o porta-voz do ministério cambojano da Defesa, Chhum Socheat.

EFE
Templo fica perto da fronteira com o Camboja

"Não sabemos até que ponto a parte tailandesa consegue controlar a situação, mas é claro que não deixaremos que manifestantes entrem no nosso templo", afirmou.

As tensões provocadas pela disputa em torno do Preah Vihear começaram em julho de 2008, quando o templo construído no século XI foi declarado patrimônio mundial pela Unesco. Na época, um forte litígio fronteiriço, ainda herança da época colonial, opunha Bangcoc e Phnom Penh.

De acordo com uma decisão tomada em 1962 pelo Tribunal Internacional de Haia, o templo pertence ao Camboja, mas a Tailândia ainda controla as principais vias de acesso ao local. Além disso, há áreas inteiras na região que jamais tiveram suas fronteiras formalmente demarcadas, o que colabora para agravar ainda mais o conflito.

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