Confronto na Cisjordânia eleva tensão entre Hamas e ANP

Ramala, 31 mai (EFE).- A tensão entre o Hamas e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) chegou hoje a níveis que há meses não eram vistos, após um enfrentamento armado que deixou seis mortos na Cisjordânia.

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O Hamas qualificou a troca de tiros, na qual morreram dois milicianos de seu braço armado - Brigadas Ezedin Qassam - de "uma conspiração da ANP e de Israel para acabar com a resistência e erradicar o Hamas" na Cisjordânia.

O grupo islâmico ameaçou ainda romper o diálogo de reconciliação palestino que acontece com mediação egípcia.

"Estamos estudando suspender nossa participação no diálogo do Cairo em resposta ao assassinato de dois lutadores santos na cidade de Kalkilia", disse esta tarde Salah Al-Bardarwil, um porta-voz do Hamas.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, advertiu após o violento incidente, no qual morreram também três policiais palestinos e um civil, que seu aparelho de segurança "enfrentará com punho de ferro qualquer um que tente perturbar a estabilidade na Cisjordânia".

Enquanto na Faixa de Gaza milhares de seguidores do Hamas protestavam contra o fato, Abbas pedia na Cisjordânia aos palestinos que "permaneçam unidos apoiando a liderança legítima do povo".

O incidente, que começou pouco após a meia-noite (hora local), é um dos mais sangrentos desde os seis dias de enfrentamentos, em junho de 2007, que deram ao Hamas o controle da Faixa de Gaza e deixaram para trás mais de 100 mortos.

Segundo o porta-voz de segurança palestina na Cisjordânia, Adnan Al-Dameiri, os milicianos atacaram uma patrulha da Polícia que fazia a ronda noturna e fugiram para um prédio de onde foram lançadas "granadas e explosivos".

A troca de fogo se prolongou durante várias horas e as forças da ANP não entraram no prédio até a primeira hora da manhã, após assegurar que os membros do Hamas tinham morrido.

O proprietário do imóvel onde se refugiaram também morreu baleado.

O incidente elevou notavelmente a tensão entre Hamas e Fatah, que deveriam conseguir um acordo de reconciliação no Cairo antes do próximo dia 7 de julho, segundo a data marcada pelo Egito após meses de negociações fracassadas.

Ihab Al-Ghusein, porta-voz do Ministério do Interior do Governo do Hamas em Gaza, qualificou o ocorrido de ato de "alta traição" contra a resistência palestina perante a ocupação israelense.

As Brigadas de Ezedin Qassam denunciaram a "preparação de uma nova era orientada a tentar se livrar" dos milicianos do Hamas.

Assad Abu Sharj, professor de ciências políticas na universidade Al-Azhar de Gaza, prevê "mais tensão" e uma resposta do Hamas na Faixa, onde "as mesquitas e os megafones clamaram desde a manhã de hoje contra a ANP e o Governo do primeiro-ministro Salam Fayyad".

Por enquanto, o braço armado do Fatah, as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa, denunciou a detenção de 16 de seus integrantes pelos corpos de segurança do Hamas em Gaza.

Desde junho de 2007, tanto o Hamas em Gaza como a ANP na Cisjordânia reprimiram e detiveram os partidários do movimento rival.

As batidas da ANP contra pessoas e instituições vinculadas ao Hamas na Cisjordânia são constantes e geraram centenas de detenções, mais de 20 nos últimos dias, segundo as Brigadas de Ezedin Qassam.

As forças da ANP se coordenam com o Exército israelense e um de seus corpos recebe treinamento dos Estados Unidos na Jordânia, o que leva parte dos palestinos a encará-los como "colaboracionistas" de Israel que se dedicam a efetuar prisões, em vez de combater a ocupação.

A luta contra as milícias é uma das obrigações da ANP dentro do Mapa de Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (EUA, UE, ONU e Rússia), como lembrou o presidente Barack Obama a Abbas após reunião na Casa Branca, na quinta-feira passada.

Um líder do Hamas defendeu ontem que nessa reunião Abbas apresentou a Obama um "plano detalhado" para derrubar o Executivo do movimento islâmico em Gaza e evitar que tome também a Cisjordânia.

EFE fn/rr

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