Jerusalém, 16 jul (EFE).- Ultraortodoxos judeus enfrentaram a Polícia israelense pelo terceiro dia consecutivo para protestar pela detenção de uma mulher que deixou seu filho sem comer, e a abertura no sábado de um estacionamento em pleno centro da cidade.

Os distúrbios mantêm em alerta as forças policiais em todos os bairros ortodoxos de Jerusalém, em sua maioria na parte norte da cidade.

Segundo informações de fontes policiais à Agência Efe, os ataques de hoje tiveram como alvo patrulhas policiais, instituições de Governo e dependências municipais.

A tensão entre as autoridades e os ultra-ortodoxos começou há algumas semanas, devido à abertura de um estacionamento em pleno sábado, dia sabático, próximo ao bairro de Mea Shearim, mais emblemático da comunidade.

Porém, há três dias uma mãe ultra-ortodoxa foi detida sob suspeita de provocar inanição em seu filho de três anos. A criança, que chegou a pesar apenas sete quilos, está internada em um hospital de Jerusalém em estado grave.

A situação é fruto de supostos abusos cometidos pela mulher, que teria a síndrome de Munchaussen - em que a pessoa, de forma compulsiva, causa, provoca ou simula sintomas de doenças para obter atenção.

A mulher pertence à seita Naturei Karta, formada por judeus anti-sionistas que não reconhecem o Estado de Israel, e a Polícia teme que alguns ativistas deste grupo radical tentem sequestrar o menor.

A imprensa local divulgou hoje as primeiras fotos da criança, o que estimulou ainda mais os protestos dos ultra-ortodoxos. Um homem ficou ferido ao levar uma pedrada, e a Polícia comunicou a detenção de 30 religiosos judeus.

A Prefeitura, que calcula os danos em 40 mil euros, informou que a limpeza de lixo nessa área está suspensa por enquanto, pelo temor a mais ataques.

O prefeito de Jerusalém, Nir Barakat, interino há seis meses, tenta tranqüilizar os ânimos com a ajuda dos dirigentes ultra-ortodoxos. EFE.

elb/dp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.