Confronto entre Hamas e dissidentes deixa seis mortos em Gaza

Seis palestinos morreram e 50 ficaram feridos nesta sexta-feira na Faixa de Gaza em enfrentamentos entre a polícia do Hamas, que controla o território, e membros de uma facção dissidente, de acordo com uma fonte dos serviços de emergência.

AFP |

Segundo a mesma fonte, um dos mortos era do braço armado do Hamas e dez pessoas foram gravemente feridas nestes combates, que começaram durante a tarde e entraram pela noite, na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

Segundo testemunhas, a polícia do Hamas cercou uma mesquita de Rafah onde estavam membros da facção salafista Jund Ansar Allah, que considera o Hamas moderado demais.

A cidade de Rafah, feudo na Faixa de Gaza desta facção salafista, inspirada ideologicamente da rede Al-Qaeda, fica na fronteira com o Egito.

De acordo com uma fonte de segurança egípcia, uma criança de três anos foi gravemente ferida por uma bala perdida que chegou até o outro lado da fronteira. Segundo uma fonte hospitalar, o estado da criança é grave.

De acordo com as testemunhas, o tiroteio começou quando a polícia do Hamas atacou a mesquita. Mais cedo, a fonte dos serviços de emergência anunciou um balanço de 15 palestinos feridos, entre eles uma maioria de civis.

Segundo outras testemunhas, a facção salafista proclamou na manhã desta sexta-feira, antes dos enfrentamentos com o Hamas, a criação na Faixa de Gaza de um "Emirado Islâmico".

"Proclamamos hoje a criação de um Emirado Islâmico na Faixa de Gaza", declarou Abdel Abdelatif Mussa, representante do Jund Ansar Allah, segundo estas testemunhas, que destacaram que o líder da facção estava rodeado de combatentes armados no momento de seu discurso na mesquita.

Em resposta, o ministério do Interior do Hamas em Gaza avisou em comunicado que "qualquer pessoa fora-da-lei portando armas para propagar o caos será detida".

O primeiro-ministro do governo do Hamas, Ismail Haniyeh, desmentiu a existência de tal grupo radical em Gaza, durante uma oração na mesquite de Beit Lahya.

Ele acusou "a imprensa israelense" de "propagar estas informações para que "o mundo fique contra Gaza".

Jund Ansar Allah ("Os soldados dos seguidores de Deus"), é uma facção radical que prega a aplicação rigorosa da sharia - a lei islâmica - e que considera o Hamas muito liberal.

Segundo testemunhas, os membros deste grupo ameaçam os donos de cybercafés e querem impor mais rigor e pudor nas praias do pequeno território palestino.

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