(atualiza número de mortos e dá mais detalhes) Nairóbi, 21 abr (EFE).- Pelo menos 28 pessoas morreram hoje durante confrontos entre moradores da cidade de Karatina, na região central do Quênia, e membros da seita ilegal Mungiki, acusados de ameaçar e extorquir os comerciantes, a fim de conseguir dinheiro e controlar a área.

"Os moradores de Karatina decidiram ontem à noite fazer justiça com as próprias mãos e responder, armados com facões e machados, às provocações dos Mungiki, que os extorquiam de forma sistemática há quase duas décadas", disse à agência Efe um oficial da Polícia queniana que pediu manter o anonimato.

Segundo ele, os confrontos começaram depois que os Mungiki tentaram expulsar de Karatina, sob ameaça de morte, moradores que se negavam a pagar "taxas de proteção".

O jornal local "The Standard" conta que os moradores entraram pela noite nas residências dos Mungiki e "usando a mesma brutalidade pela que são conhecidos os membros desta seita ilegal, os mataram a facadas enquanto eles dormiam e depois incendiaram suas casas".

O "Standard" especifica que "todas as vítimas são homens" e que seus "corpos, muitos deles decapitados, foram jogados em ruas próximas, provocando o horror".

Em resposta ao ataque em Karatina, outros membros da seita Mungiki chegaram ao povoado em diversos carros para defender seus companheiros e, a partir daí, os confrontos causaram um número maior de vítimas, que "ainda pode aumentar", segundo o porta-voz da Polícia queniana, Eric Kiraithe.

"Ainda não podemos identificar quantos Mungiki e demais pessoas foram mortos, mas já prendemos mais de 40 suspeitos que nos ajudarão a esclarecer os fatos", afirmou Kiraithe.

No entanto, o policial consultado pela Efe opinou que "os confrontos foram favorecidos por uma ordem que o Governo deu à Polícia de não controlar os Mungiki depois que a ONU acusou o comandante policial de orquestrar execuções extrajudiciais de forma sistemática".

No dia 25 de fevereiro, Philip Alston, um analista da ONU em execuções extrajudiciais, declarou que no Quênia há policiais e políticos envolvidos neste tipo de crime e apontou que, muitas vezes, seus alvos eram da seita Mungiki.

Apenas uma semana depois, dois conhecidos ativistas quenianos pelos direitos humanos, Oscar Kamau e John Paul Oulu, que respaldaram a acusação de Alston, foram assassinados a tiros em Nairóbi.

Os Mungiki formam uma seita integrada por milhares de pessoas da etnia majoritária quicuio -a mesma presidente queniano, Mwai Kibaki.

Eles se autoproclaman herdeiros dos rebeldes "Mau-Mau", que lutaram pela independência do Quênia do Reino Unido nos anos 1960.

Embora tenham sido ilegalizados por Kibaki, em julho de 2007, no ano passado eles foram acusados de orquestrar junto com alguns líderes políticos a violência pós-eleitoral que matou mais de 1.500 pessoas e obrigou 400 mil a se refugiarem. EFE pa/jp

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