Conflitos têm alto custo à economia palestina, mostra representante

Cairo, 17 mai (EFE).- A atividade econômica palestina teve uma queda de 30% desde 2000 e, após o último conflito na Faixa de Gaza, 98% das indústrias estão fechadas, afirmou hoje o representante palestino Saeb Erekat.

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Mas o custo mais grave, explicou Erekat, reflete-se no desespero dos palestinos e na falta de futuro.

"As pessoas agora acham que os caminhos da paz e da reconciliação fracassaram", acrescentou.

Erekat participou hoje de um debate sobre o impacto econômico dos conflitos da região organizado pelo Fórum Econômico Mundial para o Oriente Médio, na margem jordaniana do Mar Morto, pouco antes do encerramento da conferência, que durou três dias.

Segundo os dados apresentados por Erekat no debate, se entre 1994 e 1999 a economia palestina tinha crescimento anual de 6%, agora, a tendência reverteu.

Erekat, membro da equipe de negociadores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), informou também que 75% dos palestinos vivem abaixo da linha de pobreza e que, só em Gaza, 80% das famílias dependem da assistência de agências humanitárias para sobreviver.

Também disse que o custo da "contínua ocupação" de Israel sobre os territórios palestinos faz com que, na Cisjordânia, o desemprego chegue a 19% da população e, em Gaza, a 33%.

Citando dados do Banco Mundial, Erekat acrescentou que o bloqueio imposto por Israel a Gaza há dois anos gera perdas de cerca de US$ 8 milhões diários, mas acrescentou que "o verdadeiro custo é a forma como as pessoas pensam".

"O sentimento geral de toda a população é que (uma saída negociada) não vai funcionar", insistiu.

O debate teve a participação, entre outros, de dois representantes israelenses e de um empresário palestino, e quase todos concordaram em que o impacto econômico vai além dos danos da guerra.

"Não podemos só calcular o que custa (o conflito), mas o que estamos perdendo", afirmou o empresário e diplomata Dan Gillerman, ex-embaixador israelense na ONU.

Segundo dados apresentados pelo político trabalhista israelense Efraim Sneh, líder do partido Israel Hazaka, criado no ano passado, os conflitos do Oriente Médio representaram US$ 12 trilhões, incluindo não só conflitos armados entre Israel e seus vizinhos, mas também outras guerras, como a do Iraque.

Segundo Erekat, o Oriente Médio perdeu uma "grande oportunidade" por não ter conseguido pacificar a região e não ter mostrado a outras nações "que a região pode ser boa para os negócios".

O empresário Abdul Malik al-Jaber, vice-presidente da companhia de telecomunicações palestina Paltel, lamentou que sua empresa é a única operadora de telefonia "que tem equipamentos em um continente (em Londres) e seus clientes em outro". EFE ag/an

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