Conflitos no Malaui matam 18 e presidente pede calma

Manifestantes saem às ruas contra o presidente do país do leste da África pelo segundo dia consecutivo

Reuters |

Confrontos entre manifestantes e policiais durante uma onda de protestos contra o presidente do Malaui, Bingu wa Mutharika, deixaram ao menos 18 mortos, disseram fontes oficiais e parentes de uma das vítimas nesta quinta-feira.

Henry Chimbali, funcionário do Ministério da Saúde do país do leste da África, confirmou dez mortes na cidade de Mzuzu, no norte, onde manifestantes vandalizaram na quarta-feira a sede regional do Partido Democrático Progressista, de Mutharika.

AFP
Manifestante joga gás lacrimogêneo previamente lançado pela polícia durante manifestação antigoverno em Lilongwe (20/07/2011)
As outras mortes ocorreram na capital, Lilongwe, e na capital comercial de Blantyre, onde policiais e soldados usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que exigem a renúncia do presidente.

Em Lilongwe, a capital, forças de segurança entraram em choque com manifestantes pelo segundo dia na quinta-feira, segundo uma rádio local, mas não há relatos de mais vítimas.

A polícia não confirmou o número de mortos. A violência - com relatos da Anistia Internacional de que várias crianças de 13 anos teriam sido baleadas - deve intensificar a fúria popular contra Mutharika no país da África meridional.

O presidente, ex-economista do Banco Mundial que foi eleito pela primeira vez em 2004, fez um pronunciamento em rede nacional para pedir calma, afirmando que estava feliz por ouvir queixas de adversários que o acusam de ignorar liberdades civis e arruinar a economia.

"Parem com a violência e sentemos para conversar", disse. "Tenho uma responsabilidade, baseada nos poderes delegados a mim pela Constituição, de impor a lei e a ordem", acrescentou no pronunciamento de 12 minutos.

Mutharika governou por seis anos de relativa paz e um acelerado crescimento econômico, alimentado pela ajuda internacional. Mas a situação começou a degringolar neste ano, quando o presidente se viu envolvido numa polêmica diplomática com a Grã-Bretanha, maior fornecedora de ajuda financeira ao país, por causa do vazamento de um documento diplomático que se referia a ele como "autocrático e intolerante a críticas".

O incidente levou à expulsão do embaixador britânico de Lilongwe. Em resposta, a Grã-Bretanha também expulsou o representante do Malaui de Londres e suspendeu a ajuda de US$ 550 milhões pelos próximos quatro anos, o que provocou um rombo no orçamento do Malaui.

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