Conflito rural da Argentina chega à Justiça, e tensão cresce

Por Nicolás Misculin BUENOS AIRES (Reuters) - A Justiça interveio na quinta-feira na disputa entre o setor agrícola e o governo argentino, num momento em que a presidente Cristina Fernández de Kirchner lança mais ataques ao setor, que por sua vez pode iniciar uma nova paralisação na próxima semana.

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Faltam poucos dias para o fim da trégua de um mês declarada em 2 de abril pelos principais grupos ruralistas, quando eles suspenderam uma paralisação que havia provocado desabastecimento nos supermercados. Desde então, porém, houve poucos avanços nas negociações.

Agora, alguns produtores conseguiram liminares em tribunais do interior contra o novo regime de impostos decretado pelo governo, que na prática significou um aumento nos impostos sobre as vendas externas de soja e girassol.

Muitos produtores esperam uma onda de liminares que lhes livre dos novos impostos.

Mas, ao mesmo tempo, houve denúncias judiciais contra os produtores por causa do desabastecimento provocado pela greve de março, e os líderes das quatro entidades foram intimados a depor na semana que vem.

Mas a Corte Suprema disse na quinta-feira que a disputa deve ser resolvida fora dos tribunais. 'Judicializar os conflitos não é o melhor caminho. O melhor é que se resolvam no campo da política. Para isso funciona a política, o diálogo, a negociação', disse Ricardo Lorenzetti, presidente da Corte Suprema, à agência local DyN.

Cristina Kirchner voltou a atacar os produtores, acusando-os de violar a lei 'com uma paralisação empresarial, desabastecendo, jogando comida fora, deixando os argentinos sem comida, encarecendo os preços.'

Os agricultores ainda não decidiram o que fazer ao final da trégua, em 2 de maio, no caso de não haver um acordo, mas disseram que as negociações não vão bem.

'Estamos acumulando desencontros e isso exaspera muita gente que está esperando. As pessoas estão muito dispostas a voltar à paralisação, mas ninguém queria ter de voltar', disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina.

Nesta semana, os preços nos mercados internacionais de grãos subiram em parte devido ao temor de que um novo protesto afete as exportações argentinas, um dos maiores produtores mundiais de grãos e derivados.

Enquanto isso, os mercados produtores argentinos sofreram fortes baixas devido à preocupação gerada pelo conflito.

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